Acaba de ter lugar, com o Millennium bim entre os principais patrocinadores, a primeira edição do Open House Maputo, uma exposição pública de mais de 20 edifícios, numa experiência de museu aberto que teve por objectivo promover a conexão dos citadinos com o seu património histórico e cultural, bem como enaltecer o valor dos espaços bem projectados e construídos. Todos puderam assim participar, gratuitamente, em visitas guiadas, acompanhadas e livres, para melhor conhecer e apreciar a arquitectura e design urbano da capital de Moçambique. A Estação dos CFM, a Igreja de Santo António da Polana, a Embaixada dos EUA e a Residência da Família João Ferreira dos Santos foram alguns dos edifícios visitados, que podem ser todos vistos em https://openhousemaputo.co.mz/portfolio.
Aqui fica um breve balanço do evento, em conversa com Verena Borges, a Coordenadora Geral desta primeira edição.
Como surgiu a ideia de realizar o Open House Maputo?
A ideia surge de não haver em Maputo nenhum evento cujo foco é a arquitectura. Há tours organizados e alguma oferta individual nesse sentido, mas não existia um evento, reconhecido internacionalmente, que envolvesse vários edifícios de uma só vez. Outra componente que suscitou a realização deste certame foi o facto de Maputo ser uma cidade riquíssima a nível de património edificado, que está pouco explorado e é pouco conhecido do público em geral. À nossa vontade de montar um evento como este acabámos por juntar as variáveis que faltavam: necessidade, conteúdo e parceiros certos.
Tinham metas específicas para o evento? Correu dentro das vossas expectativas?
A principal meta era – e continua a ser – despertar a consciência do público para a importância da arquitectura no dia-a-dia dos habitantes. Arquitectura não apenas pelo lado estético como um ramo das belas-artes, mas também pelo lado funcional, técnico, que influencia a forma como vivemos e os espaços que nos rodeiam. Edifícios bem construídos e espaços pensados. E, através da percepção desse valor, potenciar os conceitos de preservação e valorização do património.
Estamos confiantes de que conquistámos mais terreno nesta área, estamos melhor hoje do que estávamos ontem. É, no entanto, uma luta contínua e que vai levar o seu tempo. Este tipo de consciência tem de ser incutido desde cedo, e foi nessa óptica, também, que acabámos por envolver crianças e jovens em diversas actividades durante o fim-de-semana do OH.
Terminado o evento, acreditamos que o balanço foi positivo e, acima de tudo, foi um ganho colectivo para a cidade de Maputo.
Qual foi o retorno do evento?
Excedeu todas as expectativas. Desde o público mais especializado no tema da arquitectura, até ao público em geral que participou por curiosidade em ver os edifícios, todos se manifestaram de forma muito positiva e animadora. Os gestores dos edifícios participantes, os parceiros, os patrocinadores, os voluntários e o staff e os arquitectos envolvidos, chegaram ao fim do evento com a sensação de ele ter sabido a pouco. Gerou-se uma onda de entusiasmo e colaboração entre todos, que fez com que se criasse uma verdadeira comunidade OH.
E quais foram as principais dificuldades que teve na organização?
Diria que o principal desafio foi comunicar o conceito do evento. É um conceito novo em Moçambique, que a maioria das pessoas não conhecia. Apostámos nas redes sociais, mas também nos meios convencionais de TV, rádio e imprensa, através de inúmeras entrevistas concedidas pela nossa Embaixadora OH, a incansável arquitecta Carla Cortês. Não é todos os dias que existem eventos gratuitos em que convidamos o público a visitar sítios tidos como inacessíveis. É preciso ganhar um grau de confiança até que as pessoas percebam que efectivamente se podem deslocar até aos sítios e simplesmente entrar.
Surgiram muitas dúvidas até ao dia do evento, mas acreditamos que, com o decorrer do mesmo, todas as pessoas interessadas acabaram por perceber a dinâmica associada.
O que podemos esperar para as próximas edições?
Esta edição teve vários elementos surpresa que muito nos orgulham. Fizemos um audioguia bilingue sobre os 20 edifícios, que irá continuar disponível online para que todos os interessados o possam usar, e fizemos tours virtuais por dentro de alguns dos espaços.
Tendo passado com nota positiva nesta 1ª edição, ganhámos confiança para poder arriscar mais nas próximas.
Apesar de ser um evento anual, devido à adesão que tivemos este ano, pretendemos fazer várias dinâmicas ao longo de 2023. Debates, visitas surpresa, envolver mais as faculdades nos programas, as escolas secundárias onde os estudantes estão em fase de decidir que áreas querem seguir, etc. Estamos neste momento a desenhar o plano para 2023 e uma coisa é certa, em qualquer uma das actividades, vamos deixar o cunho OH bem presente.
No âmbito do Open House Maputo 2022, os inscritos nas visitas guiadas tiveram a oportunidade de visitar uma exposição composta por 20 peças de arte do acervo do Millennium bim patentes na vivenda do Private do Banco, localizada na Avenida Armando Tivane.
“A cidade de Maputo é rica e repleta de pontos históricos cuja arquitectura e traços característicos são sua identidade única e contribuem para potenciar o turismo local. Estamos certos de que as artes ocupam um valor de prestígio nas sociedades pela capacidade que estas têm de proporcionar representações, instigar sentimentos e provocar emoções. É neste sentido que, ao nos associarmos a esta iniciativa e, também, ao disponibilizarmos ao público em geral a possibilidade de apreciar a nossa colecção de arte, contribuímos para promover e enriquecer o potencial da iniciativa Open House Maputo, que incorpora o melhor património arquitectónico e urbanístico da área metropolitana de Maputo. - palavras de José Reino da Costa, Presidente da Comissão Executiva do Millennium bim.
Refira-se que, considerado globalmente, o Open House, uma iniciativa da rede Open House Wideworld, é a maior celebração da paisagem urbana do mundo, estando presente em 52 cidades. A rede é composta por 50 organizações que acolhem festivais e diálogo sobre arquitectura, design e cidades em todo o mundo.
