Lusofonia -  Julinho KSD
 

Quem é Julinho KSD?
Julinho KSD é uma versão “safari” de mim. Acima de tudo, faço o que gosto, sempre com responsabilidades e objectivos bem definidos.

Fala-nos das origens do teu novo álbum, o Sabi na Sabura. Sabemos que fala muito sobre a tua família e amigos. Até que ponto é importante este momento na tua vida?
Sabi na Sabura surgiu pela expressão que criei para responder quando me perguntavam “Julinho, sta sabi?” e eu respondia “Sabi na Sabura”. Desde então, da compilação dos sons que já tinha criado e dos que vim a criar, fiz este meu primeiro projecto que, sem dúvida, é um orgulho imenso, por todo o esforço que tive, quer eu, quer todos os que estão do meu lado, tanto amigos como família.
 

Sabi na Sabura surgiu pela expressão que criei para responder quando me perguntavam "Julinho, sta sabi?" e eu respondia "Sabi na Sabura"

Para um artista que nasceu e cresceu no underground, que significado tem este disco?
Como disse anteriormente, é um orgulho por todo o esforço que tivemos, toda a dedicação, todo o sacrifício, mesmo com todos os problemas que foram surgindo. Significa poder mostrar aos mais novos e aos mais velhos que tudo é possível, basta trabalhares e acreditares.

As tuas músicas são uma denúncia, terapia ou reacção?
São terapias, tenho músicas para terapias individual, de casal e familiar. Não gosto de ver ninguém mal ou mal resolvido.

Como é que a situação pandémica que vivemos te afectou como artista? Encaraste-a como uma oportunidade de recomeço e estímulo à criatividade ou um desastre para o meio musical?
Como artista, teve os seus prós e contras. Nunca me faltou criatividade e, até hoje, não paro de criar, mas tive mais tempo para definir e conseguir os meus pequenos objectivos. Por outro lado, não tivemos concertos, não pude apresentar as minhas músicas ao vivo, e isso é algo que a qualquer artista faz falta.

Existe um certo preconceito de alguns fãs mais puristas de hip hop que alegam uma certa perda de identidade quando os artistas se tornam mais comerciais. O que pensas sobre isso?
As pessoas têm que saber definir bem o que é música comercial, porque, quanto às mudanças de estilos musicais de um momento para o outro, são determinantes o tipo de mercado, os momentos, as alturas do ano, as tendências. É o nosso trabalho, temos de analisar tudo.

Neste momento és um dos rappers mais conhecido no universo lusófono, com um público mais novo e socialmente mais abrangente, comparativamente a rappers de gerações anteriores. Concordas?
Público mais novo e mais velho, penso que chego um pouco a todo o lado, por isso, se falarmos em abranger mais classes sociais, sim, concordo.

Na tua óptica, qual é o melhor barómetro do sucesso?
Estar feliz com os meus e a minha família, isto é, estar Sabi na Sabura.

O que ouves para além do rap?
Não tenho um ou outro estilo que oiça mais, mas posso dizer que, desde Jorge Neto a Headie One, oiço de tudo um pouco.

Quando poderemos contar com um concerto em Moçambique?
É um momento que poderá chegar, que espero que chegue e que me fará ficar muito feliz e orgulhoso por conquistar mais esse objectivo.

Quais são os teus planos para o futuro?
São muitos os planos, e outros ainda para serem criados. São algo que vai acontecendo e que nos vai moldando à medida que o tempo passa.