Quando a independência ainda era um desejo partilhado entre os moçambicanos, a cultura ajudava a fortalecer laços através da união entre as diferentes regiões do país. O canto e a dança procuravam sempre uma maneira de auxiliar na comemoração das vitórias e das dores de um povo a que nunca faltaram razões para celebrar. Movimentos ordenados e ritmos que faziam ecoar Moçambique nas “zonas libertadas” anunciavam de forma titubeante o surgimento da Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD). “A Companhia Nacional de Canto e Dança nasce não de uma simples vontade de alguém, mas da dinâmica da própria história e da existência da Frente de Libertação de Moçambique. Ela surge das experiências do grupo cultural que começava a representar Moçambique, embora não independente, nos festivais de alguns países que apoiavam a luta de libertação nacional”, afirmou o Director-Geral da Companhia, André Salvador Mabasso.

Criada em 1979 integrando 30 elementos, a grande maioria dos primeiros membros do grupo era proveniente do então Batalhão de Honra das Forças Populares de Libertação Moçambique, dos antigos combatentes da luta de libertação nacional, de empresas e escolas, e das Organizações Democráticas de Massas. Mais tarde foram integrados estudantes finalistas da Escola Nacional de Dança e ex-trabalhadores do Instituto Nacional de Cinema afectos ao Cine-Teatro África, no momento da passagem desta/deste?? para a gestão da CNCD. Enquanto os ritmos e as danças eram executados, a riqueza cultural moçambicana era levada aos palcos internacionais.

“Num dos encontros com a CNCD, o presidente Chissano revelou-nos a importância que teve a Companhia para o reconhecimento de Moçambique após a independência nacional. Levámos o nome de Moçambique a todos os continentes”, disse André Mabasso. Em 1996, ela foi legalmente constituída como pessoa colectiva de direito público, gozando de autonomia administrativa e financeira.

Assumindo a missão de pesquisar as danças de todo o país, a CNCD investiga e congrega todos os saberes e culturas, sintetiza-os e coloca-os em palco, sob a forma de bailados. O seu trabalho já rendeu prémios e distinções que levantam a bandeira nacional. Tal é o caso da Medalha de Honra no Festival Mundial da Juventude e Estudantes (Cuba), da Menção Honra no Festival Internacional da Bulgária, e da Melhor Presença e Grupo no Festival Internacional de Artes Negras Kizomba (Brasil).

A CNCD investiga e congrega todos os saberes e culturas de Moçambique, sintetiza-os e coloca-os em palco, sob a forma de bailados. O seu trabalho já rendeu prémios e distinções que levantam a bandeira nacional


Passados mais de 40 anos, a missão de levar Moçambique para o mundo está cada vez mais forte, e a participação da Companhia na “Expo Dubai 2020” é prova viva disso. A 14 de Fevereiro último embarcou para os Emirados Árabes Unidos, para actuar na maior exposição do mundo, em Dubai, com o principal objectivo de “conquistar o maior número de interessados em trabalhar com a CNCD em espectáculos comerciais”. “Para a Expo Dubai 2020 levamos as obras “O planeta azul” e “Em Moçambique o sol nasceu” e um pouco da música tradicional tocada através de instrumentos típicos nacionais”, disse aquele Director-Geral.  O bailado “O planeta azul” chama a atenção para a utilização dos recursos e a responsabilidade no uso do planeta, enquanto a obra “Em Moçambique o sol nasceu” é uma rapsódia das danças mais representativas do país.

Com o olhar voltado para o futuro, a CNCD quer continuar a trazer alegria aos moçambicanos. E já sabe como o fazer… “Para o futuro temos grandes perspectivas. Primeiro gostaríamos de “renovar” os nossos bailarinos. Temos bailarinos que precisam de sair dos palcos e entrar de outra forma: criando coreografias. Outra perspectiva é a reabilitação do Cine-Teatro África e a sua transformação em teatro nacional. Com a reabilitação do África, os espectáculos poderão fluir, e voltaremos a conquistar o nosso público, para alcançar ainda mais os palcos do mundo", concluiu André Mabasso.