Assinalando cinco anos de existência, o Baía Mall, o maior centro comercial de Moçambique, tem vindo a dar mais vivacidade a uma comunidade em crescimento. Ao longo deste quinquénio, solidificou-se como uma referência incontornável, provendo progresso e vitalidade ao panorama económico e social local. Na presente edição, convidamos o leitor a embarcar numa retrospectiva deste colosso do nosso comércio retalhista. Com a contribuição exclusiva de José Castilho, administrador da BROLL, iremos desvendar os marcos alcançados pelo Baía Mall e vislumbrar os seus audaciosos planos para o futuro.
Quais foram os marcos mais significativos durante os cinco anos de actividade do Baía Mall?
Desde logo, a conclusão do projecto de edificação deste espaço, extremamente ambicioso e que iria requerer uma gestão muito educativa no sentido de acolher as melhores práticas internacionais para este centro comercial, o que veio a acontecer. Lembramos também a inauguração por sua excelência o Presidente da República, para nós o reconhecimento da necessidade deste activo e acolhimento do investimento internacional. Operacionalmente, lembramos o mês “Maio de 2019”, em que ultrapassámos, pela primeira vez, as 320.000 visitas mensais ao shopping, o que actualmente se mantém consistente e esperamos aumentar. No capítulo de responsabilidade social que temos vindo a desenvolver desde o nosso início, são inúmeros os eventos e contributos em que temos participado: apoio às vítimas dos Ciclones Idai e Kenneth e, este ano, do Freddy. A nossa participação e contributo para a divulgação cultural, com exposições de arte e de carácter social, ou na área da saúde, com conteúdo importante para a sociedade moçambicana, como, por exemplo, o Festival da Colheita ou exposições temporárias de artesanato local, acções de rastreio médico, etc. Adicionalmente, lembramos sempre datas importantes para a família e comunidade, como o Dia do Pai, o Dia da Mãe e o Dia da Mulher Moçambicana, o Dia Internacional da Mulher, o Dia da Família, envolvendo os mais diversos participantes que dão voz e exemplo à nossa juventude, as crianças e a própria família.
Que obstáculos destacariam como os mais desafiadores enfrentados durante este período?
A área comercial, a parte sem a qual não existiríamos, pois somos essencialmente um espaço de comércio, foi a área em que encontrámos mais desafios, para compor o nosso mix de lojistas que hoje são a nossa força. Trazer a este espaço o melhor que Moçambique tem para oferecer no comércio formal foi um dos maiores desafios que encontrámos. Encontrar e formar, especializando o nosso quadro de pessoal na gestão no Centro, foi outro dos desafios que encontrámos e que felizmente sentimos ter superado com a nossa equipa actual.
De que maneira o Centro Comercial tem impactado a comunidade local?
Para além das acções específicas que referimos ao nível do enquadramento da responsabilidade social, o impacto do Baía Mall no comércio local foi extraordinário. Note que iniciámos com um conjunto de lojistas habituados a outro tipo de comércio, em lojas em ruas de comércio ou shoppings em linha, comércio informal ou mesmo startups, que se iniciaram no Baía, num ambiente de shopping central onde as regras são comuns a todos os lojistas, com o objectivo de melhorar a oferta global e assim aumentar as vendas de cada um. Ao longo destes anos de existência, o desafio tem sido sempre adaptar os diferentes negócios a este modo de operar, que naturalmente tem vantagens. As comunidades de proximidade têm vindo a beneficiar também da nossa presença e acção em parceria com o município de Maputo, mas também em actividades direccionadas, muitas vezes propostas por nós, mas também por essas comunidades.
Desde a vossa inauguração, quais as alterações implementadas que consideram mais significativas?
O Centro Comercial é quase um organismo vivo. Todos os dias se movimentam muitas variáveis que nos obrigam a uma constante gestão da mudança. Seja por solicitação, seja por obrigação ou planeamentos que sucessivamente vamos actualizando a todos os níveis. A actividade no Centro Comercial é muito dinâmica. Escolher as alterações que têm tido mais impacto é por isso muito difícil, porque temos muitas. Nesse sentido, escolheria a gestão dos lojistas e selecção dos negócios que mais fazem sentido neste espaço, porque funcionam melhor no conjunto dos lojistas, como a principal preocupação que tem levado a essas alterações, e com isso beneficiado o Centro Comercial. Temos actualmente em curso um estudo para analisar melhorias ao nível da eficácia energética, que, cremos, trará grande impacto de futuro.
De que forma a pandemia da covid-19 impactou as vossas operações?
Houve diversos impactos em cadeia que foram significativos. Desde logo, o comércio foi fortemente afectado pela impossibilidade das visitas presenciais e obrigatoriedade de redução de horários. Em certos casos tivemos mesmo lojas que, pelo tipo de actividade, estiveram fechadas todo o tempo por imposição legal. Isso naturalmente afectou o negócio do Centro, diminuindo fortemente os retornos de investimento nesse período, que se prolongou por cerca de dois anos. Por outro lado, também as nossas acções de marketing e de gestão da manutenção sofreram paragens e atrasos por impossibilidade de serem executadas, quer por não serem possíveis viagens internacionais de alguns fornecedores, quer mesmo por não existirem condições sanitárias que o permitissem. Mas destacamos pela positiva que a menor frequência de viagens levou a população de Maputo a criar hábitos de consumo local, alguns lojistas decidiram abrir comércio mais especializado, nomeadamente na moda, por aqui, e hoje notamos ter contribuído para um comércio mais consolidado, onde o consumidor tem comparativos mais imediatos, melhores preços e maior conforto nas suas compras. Este facto, que se nota sobretudo depois desse período com o consequente crescimento do comércio local, é uma das melhorias que ficou na era pós-covid.
Quais foram as lições mais relevantes que a vossa equipa de gestão adquiriu ao longo destes cinco anos?
A gestão de centros comerciais da forma como o fazemos no Baía Mall, em linha com as melhores práticas internacionais, obrigou-nos a formar uma equipa de gestão com competências em diversas áreas. Na Contabilidade, Cobranças, Vendas, Manutenção, Marketing e em processos administrativos, tudo é especializado neste espaço. A melhor lição que tivemos ao longo deste tempo foi a de que vale a pena apostar na formação de quadros que nos chegam com a formação académica de base e que se dedicam à formação profissional quando estão expostos a estas funções. Vemos com muito carinho a evolução do nosso staff e consideramos que temos uma equipa que, na sua interacção com os diferentes interessados, quer sejam lojistas, fornecedores, entidades públicas ou outros, são capazes, competentes e dedicados.
Que estratégias têm adoptado para lidar com a crescente concorrência do comércio electrónico?
Na verdade, vemos o comércio electrónico como complementar e não como concorrente. A partir de um ponto físico localizado como é o Centro Comercial, potenciamos o negócio dos nossos lojistas também através do comércio electrónico. Ou melhor, são os nossos lojistas que o fazem, o que nos compete é a presença constante nos meios electrónicos e redes sociais, que temos vindo sempre a desenvolver. A partir daí, grande parte dos nossos lojistas pegam nesse potencial e concretizam uma componente cada vez mais importante do seu comércio.
Entre as acções e iniciativas que organizaram, quais gostariam de destacar pela sua eficácia e impacto? Poderiam descrever em que consistiram?
Nós temos particular interesse em destacar todas as acções em que nos envolvemos e que sabemos terem contribuído para aliviar o sofrimento de algumas pessoas. Essas não vamos enumerar porque o fazemos sempre que possível e com a colaboração empenhada dos nossos lojistas. Orgulhamo-nos de ter organizado alguns eventos que sabemos terem impacto na sociedade moçambicana como, por exemplo, termos colaborado com campanhas para preservação da biodiversidade, para fortalecer os artesãos locais ou mesmo os pequenos produtores agrícolas, para quem fomos criando espaços para a sua divulgação. Divulgámos e trouxemos para junto de nós, dos nossos lojistas, clientes e visitantes do Centro, personalidades públicas da nossa sociedade que, em eventos variados, quer na cultura, quer nas acções sociais, conviveram de perto com a nossa gente mais comum.
Tivemos outras actividades que inventámos ou reinventámos, com esforço para nos recriarmos, mas de que igualmente nos orgulhamos: em 2020, empenhámo-nos para juntar o material escolar possível, tendo doado à Escola Primária da Macaneta 756 kits de material escolar diverso; em 2021, criámos a campanha “Heróis da Covid-19”, em que, para além do plantio de 200 casuarinas na baía de Maputo ao ar livre para animar as pessoas e como forma de protecção contra a erosão da orla marítima da marginal, criámos uma exposição literária e fotográfica em homenagem aos que sofreram com a covid-19, expusemos depoimentos de directores de hospitais, pacientes que recuperaram e familiares que perderam seus entes queridos; em 2023, ficámos satisfeitos por saber que, para além da doação de alimentos e produtos de primeira necessidade, conseguimos passar a experiência de degustação a algumas crianças que se deliciaram com ovos e doces da Páscoa. O maior desafio do departamento de marketing foi o de se reinventar para poder comunicar numa altura em que não nos era permitido gerar aglomerações. A covid-19 ensinou-nos a sobreviver no meio do mínimo e com uma mistura de vários sentimentos que se manifestavam à flor da pele.
De que forma o Baía Mall tem acompanhado as tendências de sustentabilidade e consciência ecológica?
Em todos os aspectos e de todas as formas. Desde logo, o edifício foi desenvolvido com algumas características e equipamentos com vista à sustentabilidade ambiental, na altura com prioridade à instalação de uma estação de tratamento de águas, importante até porque estamos num local junto às praias. Participamos e desenvolvemos iniciativas de protecção da orla marítima, com programas de plantação de árvores cuja função é a de protecção contra a erosão. As nossas políticas de actuação incluem a sustentabilidade ambiental ao nível da recolha de lixos e separação para posterior reciclagem. Existe uma preocupação com a energia, e temos em curso estudos para utilização futura de autoprodução de energia, em princípio utilizando painéis solares.
Futuramente iremos desenvolver acções de compensação de carbono, porém temos isso como prematuro, uma vez que ainda estamos na fase de adaptação dos legistas. Por outro lado, temos desenvolvido inúmeras campanhas associadas quer à reciclagem quer à protecção da biodiversidade em risco, e campanhas contra a caça furtiva, que consideramos um flagelo que nos afecta a nível nacional.
Que actividades poderão os vossos clientes aguardar no futuro? Existem planos para expansão do Centro Comercial?
Do ponto de vista comercial, todos os nossos lojistas podem contar connosco, tal como contamos com eles, para continuada e sustentadamente atingirmos objectivos de crescimento em linha com o crescimento económico do País, senão maiores. Apostamos em campanhas de marketing sucessivas, localizadas e usando todos os meios a que conseguimos ter acesso, para constantemente lembrarmos o consumidor da nossa qualidade e oferta disponível por parte de todos os lojistas. Esta dinamização é muito importante, pelo que lhe atribuímos uma prioridade alta. Em termos de actividades específicas, vamos aqui deixar em segredo, para que no futuro as nossas actividades surpreendam sempre pela positiva, como tem vindo a ser hábito no Baía. Com a certeza de que estamos atentos e somos extremamente criativos no planeamento de actividades inovadoras, essenciais, em linha com os objectivos da comunidade e sempre com responsabilidade social. Estamos para servir a comunidade e é com a comunidade que vivemos também o nosso negócio. Quanto a planos de expansão, naturalmente o espaço onde existimos é limitado, e os retornos de investimento são particularmente demorados. Trata-se de um investimento de longo prazo que só após estes 5 anos podemos afirmar estar perto do seu potencial de exploração, pelo que é cedo para pensarmos nisso. Não obstante, o investidor tem hoje uma muito boa visão deste investimento, razão pela qual não excluímos que possa vir a haver outros em linha com este, mas não no curto prazo.
Como gostariam que o Baía Mall fosse percepcionado pela comunidade e pelos clientes nos próximos cinco anos?
Penso que quanto aos próximos 5 anos ambicionamos essencialmente consolidar a imagem que temos hoje. Ser o centro comercial de referência na capital, o que significa dizer, o centro comercial de referência no País, mas sobretudo continuar a demonstrar aos consumidores que é possível comprar com comodidade e conforto em Moçambique, e que a nossa oferta estará sempre direccionada para as necessidades do momento. A par dos nossos objectivos comerciais, manteremos a nossa acção com a comunidade de proximidade, sem descurar os apoios nacionais de emergência a que sempre temos dado alguma resposta, e continuaremos a dinamizar o nosso espaço e zona envolvente nas vertentes da vida saudável, que inclui o desporto, o ambiente e a cultura.
