A minha jornada começou quando ganhei uma bolsa para os EUA. Na época, já sonhava em ser actor, e foi lá que essa paixão se intensificou. Foi aí que acabei conhecendo o universo de produção e direcção de filmes. Comecei por fazer alguns vídeos cómicos, mas nunca postava nas redes sociais, só alguns amigos é que viam, porque o conteúdo era restrito. A determinado momento, regressei a Moçambique, minha terra natal, e concorri para mais uma bolsa de estudos, neste caso para a Índia. Consegui a bolsa e fui para lá fazer o curso de Engenharia Informática, área em que me formei. Nesse momento já fazia alguns vídeos de dança, porém ainda nada de actuações e paródias. Acabei participando em alguns concursos de dança na Índia.
Regressei a Moçambique em 2020, logo após ter eclodido a pandemia, época em que estávamos a cumprir as medidas e normas de prevenção contra o corona vírus e as pessoas passavam mais tempo em casa a cumprir o isolamento social, e também, por consequência, passavam mais tempo na internet. A determinada altura, vi um vídeo de uma entrevista nas redes sociais e tive a ideia de recriar o vídeo à minha maneira. Postei-o no meu perfil e o vídeo viralizou. Tive comentários positivos de muitas pessoas que gostaram do meu trabalho, e essas mesmas pessoas motivaram-me a continuar a fazê-lo, e até aos dias de hoje continuo a criar esse tipo de vídeos. “Ele é um bom actor” ou “as expressões faciais que ele faz, é como se ele fosse o autor do vídeo”, foram alguns desses comentários que me motivaram a continuar, fazia-me sentir realizado ver que muitas pessoas estavam a gostar do meu trabalho e que conseguia arrancar sorrisos do público. Há quem diga que os meus vídeos ajudam a sair de depressões e que são como uma terapia, o que me cativa imenso. Considero o meu trabalho divertido e inspirador.
As melhores ideias para fazer comédia surgem no dia-a-dia dos cidadãos moçambicanos e também nas entrevistas engraçadas que vão acontecendo pela televisão. Não existe uma fórmula para roubar gargalhadas às pessoas, no entanto penso que elas se identificam e amam o meu jeito de ser e actuar.
A pandemia impactou bastante o meu dia-a-dia, como também a de outros criadores de conteúdos. Estando sempre em casa, as pessoas partilhavam muito os meus vídeos, que viralizavam bastante, e a situação ajudava na divulgação de outros serviços de multimídia que faço. Hoje estamos numa era digital, é muito fácil divulgar os nossos talentos e as nossas artes, o que impacta bastante este sector, expandindo-o em larga escala.
Na minha área, considero o Txiobullet e o Maxh as grandes referências a nível nacional. A nível internacional, gostaria de fazer uma colaboração com o Will Smith. Para o futuro pretendo tirar o curso de arte em actuação e cinema, nos Estados Unidos, de forma a contribuir para a indústria cinematográfica moçambicana.
