Como é ser líder na banca nacional? 
Denise Cruz, Directora interina de Canais: Ser uma líder feminina na banca moçambicana pode ter desafios únicos, mas também pode oferecer a oportunidade de liderar a mudança e contribuir para o desenvolvimento económico do País. Actualmente, cada uma das mulheres (como eu) que lideram departamentos e que tomam decisões relevantes para o futuro do País, têm a oportunidade de contribuir significativamente para o desenvolvimento económico deste, liderando projectos inovadores e sustentáveis, promovendo o empreendedorismo e colaborando para a melhoria da inclusão financeira. No entanto, ainda é desafiante ser Líder e Mulher, nos diferentes sectores, pois ainda enfrentamos preconceitos e estereótipos de género que podem dificultar o nosso crescimento na carreira. Mas a resiliência e dedicação que nos é característica leva a que trabalhemos cada vez mais para comprovar a nossa capacidade e enfrentar desafios ao longo do caminho. No Absa, a nossa cultura de equidade do género e progressão de carreira com base na meritocracia é bastante presente, pois, apesar de ao nível de todo o Banco termos 50% de Colaboradores Homens e 50% de Colaboradores Mulheres, ao nível da liderança de topo contamos com 55% de mulheres. É uma honra servir de exemplo e motivação para outras mulheres corajosas que ambicionam crescer e liderar nos diferentes sectores em que operam!

Como é que a vossa instituição aborda a questão da igualdade de género em termos de recrutamento e promoções?
Hanifa Hassangy, Directora de Pessoas e Cultura: Somos a instituição financeira nacional que tem o mesmo número de mulheres e homens na sua força de trabalho e em cargos de chefia, o que demonstra o nosso posicionamento quanto à igualdade de género. Temos uma forte cultura de equidade de género, acreditamos na competência e na qualidade dos nossos quadros e estamos constantemente a trabalhar para que cada um dos nossos Colaboradores se sinta valorizado e em crescimento. O investimento nas nossas Pessoas, no decurso dos últimos anos, reflectiu-se nas últimas nomeações para a liderança de topo do Banco, desde o Administrador-Delegado até aos 4 novos membros nomeados, todos eles foram resultado de uma progressão de carreira interna. No que toca a gestão de talento, temos implementado nos últimos anos o Programa de Graduados e o Ready to Work, que se focam, acima de tudo, em formar jovens profissionais de talento, quer sejam rapazes ou raparigas, para o mercado de trabalho.

O que deve ser feito para se alcançar a igualdade de género em Moçambique?
Patrícia Darsan, Directora da Banca Corporativa e de Investimentos: Acredito que, para atingirmos uma real igualdade de género em Moçambique, é necessário, primeiro, uma mudança de mentalidade que permita olhar para o género de forma equitativa e, com isso, criar de forma aberta e justa oportunidades em que a mulher possa mostrar o seu potencial e o seu valor. Passa igualmente por um esforço coordenado e contínuo de mudança de paradigma que começa no seio familiar e se expande pelas diversas áreas-chave da sociedade, como a educação e a saúde. É importante garantir a meninas e jovens mulheres, em todo o País, o acesso igualitário à educação, do ensino primário ao superior. Isso inclui incentivá-las a aprender, ao mesmo tempo que se procura eliminar as barreiras sociais que impedem a frequência escolar, como o casamento prematuro e a gravidez precoce.  Importa referir que muitos dos desafios que as mulheres enfrentam começam ainda no seio familiar, onde lhes é ensinado, desde tenra idade, que o seu papel na sociedade é cuidar dos filhos e da casa, enquanto o sexo oposto procura o sustento do lar e se foca no crescimento profissional. Esse paradigma social tem de ser eliminado. Por outro lado, na saúde, as mulheres devem ter acesso a serviços de saúde reprodutiva e sexual de qualidade que lhes permitam tomar decisões de forma informada e consciente sobre a natalidade. Temos um longo caminho a percorrer para que alcancemos a igualdade de género no nosso País, pois o acesso ao emprego, a igualdade salarial, o acesso a oportunidades de crescimento e a cargos de liderança, a discriminação de género dentro do local de trabalho, ainda constituem grandes desafios a ser vencidos. Contudo, vemos já alguns exemplos de mulheres que estão a ser promotoras desta mudança e que se têm destacado em cargos de liderança, tanto no sector público quanto no privado, o que mostra indícios de que uma mudança de paradigma está de facto a acontecer e que apenas precisa, eventualmente, de ser acelerada. O que acredito poder ser mais rapidamente alcançado por via da implementação de políticas que incentivam a igualdade de género na educação e no local de trabalho.

De que forma é que a educação financeira é importante para o desenvolvimento das mulheres em Moçambique?
Martha Humbane, Directora da Banca de Retalho e de Negócios: De facto, a educação financeira é fundamental para que as mulheres possam tomar decisões financeiras informadas e responsáveis. Isso é especialmente importante para as mulheres que estão continuamente empenhadas na gestão do orçamento doméstico e apoio no sustento das suas famílias, bem como nos seus projectos e negócios. A educação financeira permite que as mulheres tenham ferramentas básicas para organizarem a gestão das necessidades colectivas e pessoais, possibilitando uma execução eficaz do seu orçamento doméstico, com consumo inteligente, estabelecimento de limites, custos necessários e planeamento de gastos. Essa dinâmica permite viabilizar uma independência financeira à sua medida, promovendo hábitos de poupança que irão permitir investimentos futuros. Além disso, a educação financeira pode estimular o empreendedorismo entre as mulheres, pois, com as ferramentas certas e uma gestão financeira prudente, elas podem ter um maior empoderamento económico e participar activamente na actividade económica do País, contribuindo para o bem-estar das suas famílias e para o crescimento económico sustentável. Portanto, a educação financeira é uma ferramenta poderosa para capacitar as mulheres em Moçambique a alcançar seus objectivos financeiros e de vida, reduzir a pobreza e aumentar sua independência económica. Quando disseminada amplamente, essa educação financeira pode trazer benefícios para toda a sociedade, contribuindo para um futuro mais próspero e equitativo para todos.

Em que medida é que formar mulheres pode ajudar a desenvolver a economia nacional?
Tânia Oliveira, Directora de Marketing e Relações Corporativas: O nível de educação de uma mulher determina fortemente o padrão de vida da sua família bem como a educação, futuro e potenciais oportunidades dos seus filhos e filhas. As mulheres, principalmente nos países em desenvolvimento, exercem um papel central na sobrevivência e economia da família, quer como sustento, quer como responsáveis pela gestão da vida e recursos da família. Quando as mulheres, principalmente as que não estão em situação de pobreza e exclusão, não podem trabalhar por incapacidade ou doença, a sobrevivência da sua própria família está em causa. Uma situação que coloca as mulheres na linha da frente perante um contexto de incerteza, e de aumento do custo de vida, como o que se vive actualmente. Mas estas condições não são uma fatalidade – há caminhos para as contornar. E este deve ser um desafio que deve mobilizar toda a sociedade moçambicana.

Apostar na formação das mulheres e na promoção da igualdade de género nos seus diferentes domínios é a chave para o desenvolvimento da nossa economia e é um objectivo que deveria ser parte integrante da estratégia de gestão das empresas. No Absa, alcançámos o objectivo a que nos propusemos e contamos hoje com 50% de mulheres nos quadros da empresa, procurando capitalizar o seu potencial em áreas específicas através da formação e oferta das mesmas oportunidades. Estabelecer um target acho que é um meio necessário e que tem como objectivo promover uma organização mais equilibrada e mais equitativa. Através desta diversidade, somos capazes de tomar melhores decisões, que resultam, automaticamente, em melhores produtos, em melhores serviços, numa melhor proposta de valor para os nossos clientes e, consequentemente, num benefício económico para o Banco e para a sociedade. A educação e a formação têm o papel de empoderar as mulheres e quebrar o ciclo que as expõe, sobretudo a elas, à pobreza. Temos de mobilizar os recursos para onde eles fazem a diferença. Este é um investimento necessário para acelerar o desenvolvimento da nossa sociedade, melhorar os níveis de pobreza e reduzir as iniquidades. Está provado que sociedades mais igualitárias são, também elas, mais desenvolvidas economicamente.


E como é tratada a conciliação da vida profissional com a vida pessoal das vossas Colaboradoras?
Akila Ghumra, Directora interina de Operações: Somos uma organização que coloca o bem-estar dos seus Colaboradores como uma prioridade, e, após a pandemia, adoptámos definitivamente o modelo de trabalho híbrido, permitindo o surgimento de novas formas de trabalhar. Acreditamos que já não se trata de ter um equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, trata-se, sim, de ter harmonia entre a vida profissional e pessoal. Temos trabalhado de forma contínua na melhoria da nossa proposta de valor ao Colaborador e, no caso específico das licenças de maternidade, por reconhecermos ser um momento importante e único na vida de uma mãe, criamos condições para que as nossas Colaboradoras possam ter três meses de licença de maternidade, ao invés dos dois meses estabelecidos por lei. Ainda neste contexto, aumentámos a licença de paternidade para 5 dias, como forma de promover o papel que o homem tem no suporte da mulher e harmonia familiar. Mais recentemente, criámos um fórum de debate onde juntamos homens e mulheres para explorar temas, trocar ideias e debater temáticas relevantes para o crescimento dos nossos Colaboradores, quer a nível pessoal quer profissional.  Também incentivamos as equipas a terem uma vida equilibrada, a não olhar somente para a carreira, mas também para a saúde. Mantemos iniciativas em que os Colaboradores participam em actividades desportivas para a saúde física, colocamos à disposição linhas de apoio à saúde mental para os colegas entrarem em contacto em momentos de stress e incerteza, e incentivamos a diversidade e a inclusão na organização para criar um ambiente mais dinâmico para trabalhar.