A tecnologia de lés a lés
É à distância de um clique que se adivinha a rapidez, a boa energia e a vontade de promover impacto de Yara Polana. A viver entre dois polos bastante distintos, Reiquiavique e Los Angeles, esta moçambicana trabalha como senior developer.
É impossível pensar na capital islandesa, Reiquiavique, e não imaginar as temperaturas baixas ou as poucas horas de sol diário que a caracterizam. Pequenos pormenores para a vivência de Yara Polana, uma jovem moçambicana que é formada em Comunicação Visual e que vive entre o frio do norte da Europa e as temperaturas amenas de Los Angeles, a cidade mais populosa do oeste dos Estados Unidos. Yara saiu de Moçambique há 10 anos porque sentiu que lhe faltavam opções de ensino superior na área de multimédia. Na altura, quando saiu do Aeroporto Internacional de Maputo, em Julho de 2011, o destino era a Noruega, mas a sua jornada coincidiu com os atentados de Oslo e na Ilha de Utoya, e a jovem ficou com dúvidas sobre se esta seria a melhor opção para viver. Em alternativa, matriculou-se na Universidade de Artes na Islândia.
Hoje, aos 33 anos, Polana trabalha numa área que está no centro do desenvolvimento de várias nações e sente que tem um papel activo em construir a mudança. “A tecnologia está sempre a evoluir, não é possível aprender uma linguagem de programação ou framework e dizer que já temos tudo o que é necessário para ir em frente. A linguagem evolui, o framework evolui, descobrir o uso e desuso destes no dia-a-dia é chave. É necessário estar-se sempre alerta quanto a essa evolução, estar-se sempre a aprender, mesmo que não se esteja a implementar o conhecimento. O grande desafio é que, vivendo sobrecarregados de informação, caímos sob a pressão de não saber tudo ou não saber muito, de ter que lidar com limitações da tecnologia, a síndrome de impostor bate-nos à porta… Nestes momentos é preciso ter-se um foco e uma disciplina impecável’, partilha.
Embora seja optimista, a developer reconhece que nem sempre é fácil: “Porque, estando a aprender algo novo, se não estiver a implementar hoje, está na sua jornada profissional implementar no futuro? Eu já passei por tudo isto, depressão, ânsia, síndrome de impostor, mas o que me faz sempre sair do fundo do poço é a minha disciplina, que aprendi com os meus pais – disciplina, persistência, paciência e auto-respeito (ou amor próprio)”.
É esta resiliência que motiva Yara. De tal forma que, além de estar a par dos eventos que se passam nas duas geografias onde vive, ainda se preocupa com a agenda tech nacional. A nível de referências, é na escola Rocketseat que se forma sistematicamente. Quanto aos projectos a implementar, Polana afirma que há vários que gostaria de pôr em prática por saber que iriam simplificar muitos serviços locais. “Os hospitais estão extremamente sobrecarregados, e seria uma boa experiência introduzir um serviço que facilitasse consultas online, por vídeo, para casos não graves, claro. Porque, com este serviço, talvez se tire a carga do cliente de ter que ir a um estabelecimento e ter que esperar horas para ter uma consulta de 3 a 5 minutos, enquanto pode ter a consulta no local em que está e ser direccionado para o serviço hospitalar correcto sem perder tanto tempo”, partilha, com confiança, a jovem.
