Desde 1994 que a energia rítmica da dança ganhou maior espaço no bairro da Maxaquene, na cidade de Maputo, quando um grupo de professores da Escola Primária de Maguiguana convidou alunos desta instituição para juntos formarem a companhia de canto e dança Xindiro. Hoje, passadas mais de duas décadas, a Xindiro Companhia está a tornar-se uma verdadeira alavanca para a difusão do canto e dança nacionais, resgatando o tradicional sem, no entanto, deixar de lado o contemporâneo. “A Xindiro é uma companhia de canto e dança do bairro de Maxaquene que actualmente integra crianças, jovens, homens e mulheres não só deste bairro mas também de outros bairros da cidade, e que procura partilhar com o público muita energia, intensidade, harmonia e várias emoções, oferecendo aos espectadores um momento único e marcante para toda a vida”, assim se expressou Arejústel Mulimela, bailarino da casa desde 2005.
O nome da Companhia, Xindiro, provém de “xindire”, da língua local, “pião”, em português, um brinquedo em forma de cone, com uma ponta de metal na parte inferior, geralmente feito de madeira dura e projectado para ser girado verticalmente. “Os nossos movimentos de dança têm muita energia e giros que se assemelham aos do xindire, isto é, ao pião”, acresceu o bailarino.
Inicialmente voltado para a variedade de danças tradicionais moçambicanas, cedo o grupo estendeu o seu repertório, albergando também outras danças. Foi assim que surgiu, dentro da Xindiro Companhia, o Xindiro Dance: “O Xindiro Dance faz uma fusão de danças contemporâneas, modernas e tradicionais, com a particularidade de usar uma cadeira em todas as suas coregrafias”. Procura acompanhar a evolução da(s) dança(s), sem ignorar os aspectos tradicionais que caracterizam a riqueza desta(s) manifestação(-ões) artística(s) muito presente(s) no quotidiano dos moçambicanos.
Ahoyah, um Xigubo diferente, mas igual
Apesar de a Companhia fazer apresentações de uma diversidade de danças, foi graças ao xigubo que ganhou maior notoriedade. Presentemente tem explorado a fusão do tradicional com outros elementos através do espectáculo denominado Ahoyah, título da peça em que exibe um xigubo diferente, mais moderno. “É um xigubo desconstruído. Pegamos no xigubo na sua forma pura e dividimo-lo em partes. Há uma parte em que fazemos os passos originais e outras partes em que fazemos passos mais contemporâneos”, disse-nos Arejústel Mulimela, bailarino.
Desenhado pelo coreógrafo e membro da Xindiro Companhia Alexandre Chilaúle, o nome Ahoyah vem de um grito de motivação soltado pelos bailarinos para dar força e vivacidade no acto de execução da dança, conforme esclarece Arejústel: “Ahoyah é um grito que os bailarinos emitem para lembrar a todo o povo moçambicano, particularmente aos jovens, que Moçambique é um país muito forte e motivado. Através do Ahoyah queremo-nos tornar o reflexo de Moçambique, uma plataforma de trabalho colectivo de artistas, onde cada um seja uma peça fundamental, contribuindo com o seu saber, o seu tempo e dedicação em prol do colectivo. Conjuntamente, queremos explorar, com poesia, o movimento e ritmo, desconstruir, questionar com inteligência as danças e cantos tradicionais”.
A primeira apresentação do Ahoyah aconteceu recentemente na galeria do Porto de Maputo. Cheios de energia, os bailarinos apresentaram um xigubo fora do comum. Quer pelas vestes, quer pela melodia rítmica, os espectadores puderam sentir um verdadeiro reavivar da dança, sem, no entanto, perder a sua essência, que podia ser claramente notada pela força e expressividade dos movimentos executados. Em resposta, o público mostrou-se vibrante e entusiasmado com esta vertente da Xindiro Companhia, facto que motiva a Xindiro a querer chegar a outros públicos, dentro e fora do país. “Pretendemos fazer uma próxima apresentação aqui na Escola Primária de Maguiguana, onde a Xindiro nasceu, para que a comunidade sinta esta energia do Ahoyah. Mais tarde, esperamos levar o espectáculo a outros locais, a nível nacional e internacionalmente, pois acreditamos na magia e força do Ahoyah”, concluiu o bailarino.
