Em Moçambique, uma inovação tecnológica está a transformar a forma como a comunicação e a educação chegam às comunidades mais remotas. O Tablet Comunitário, um projecto pioneiro desenvolvido com tecnologia e recursos humanos moçambicanos, surge como o primeiro dos dez projectos seleccionados para o Desafio de Empreendedorismo da CFAO, em parceria com a revista Xonguila. O desafio destaca iniciativas focadas na mobilidade e segurança rodoviária, e o Tablet Comunitário brilha como exemplo de como a tecnologia pode ser aplicada com sucesso nesses campos. Como já anunciado, todos os projectos seleccionados estarão em votação no mês de Dezembro, merecendo o vencedor não só a oportunidade de apresentar um pitch do projecto ao programa do Grupo CFAO “Mobility 54”, mas também um prémio de 60.000 meticais.
A missão do Tablet Comunitário é clara: prover serviços públicos numa plataforma com serviços integrados e garantir a inclusão de forma realística e sustentável. Operacional há cinco anos, este projecto já atingiu mais de 2 milhões de pessoas desde 2015, estabelecendo 11 unidades por todo o país. Sua abordagem multifuncional "tudo em um" e a adaptabilidade do seu design permitem uma ampla gama de usos, desde a educação sobre segurança rodoviária e testes psicotécnicos em simuladores até à facilitação de serviços governamentais básicos, especialmente em zonas com acesso deficitário a rede de telefonia móvel e dados.

A infra-estrutura por detrás do Tablet Comunitário está equipada com um ecrã expansível, com o mínimo de 100 polegadas, com função táctil (touch screen), tecnologia plug and play para diversos acessórios, tais como webcams e colunas, entre outros de utilidade. A comunicação de dados é por via GSM com switch para satélite, para zonas onde necessário, facilitando não só quem utiliza a infra-estrutura, mas também quem esteja ao seu redor e tenha um dispositivo móvel que possa aceder a WiFi, desde que se encontre num perímetro de 5 Km. É privilegiado, na íntegra, o uso de energias limpas, sendo a infra-estrutura equipada com soluções fotovoltaicas (energia solar). A versatilidade é ainda aumentada pela inclusão de recursos como cabines individuais ajustáveis em altura – como forma de permitir acessibilidade aos utilizadores de cadeira de rodas –, linguagem de sinais e reconhecimento de voz para texto e vice-versa, o que torna esta tecnologia acessível a pessoas com deficiências e necessidades especiais.

No que toca à segurança rodoviária, esta infra-estrutura inovadora é utilizada para educar a população considerada com pouco acesso a informação, ou fora da era digital, sobre como se comportar nas estradas, conhecer e respeitar os sinais de trânsito, e a importância de não se conduzir sob o efeito do álcool ou outras substâncias que alterem o comportamento normal impactando os reflexos. A infra-estrutura proporciona a execução de testes psicotécnicos, visando a reciclagem tanto dos automobilistas como dos peões, em programas interligados ao serviço de viação. O seu âmbito transversal tem como maior objectivo fazer chegar os serviços públicos em formato digital e interactivo a comunidades desfavorecidas; a sua mobilidade permite atingir várias comunidades sem deixar ninguém para trás, garantindo a inclusão.

Este projecto não só aproxima o governo do cidadão, aumentando a cobertura territorial dos serviços governamentais, mas também se mostra essencial em respostas a emergências como, por exemplo, catástrofes naturais, ao promover serviços de balcões de atendimento itinerante e centros de contacto móveis. O Tablet Comunitário está projectado para disponibilizar serviços públicos essenciais, incluindo o registo de dados para documentos de identificação e licenças de condução, provas de vida, assistência médica remota (que inclui o rastreamento do quadro clínico do paciente no momento, desde que conectados dispositivos para o efeito), educação, formação, entre outros serviços que requeiram comunicação e interacção, contribuindo significativamente para o e-governance em Moçambique.

Foram criadas sinergias com a Universidade de Évora, em Portugal, para uma prova de conceito que se pretende padronizar à escala global. Contam com a patente registada no Reino Unido, Estados Unidos, Comunidade Europeia, China e dispõem ainda do seu relatório técnico aprovado em plenário e publicado junto da ITU – International Telecommunication Union, a agência das Nações Unidas para as comunicações.

O Tablet Comunitário é um exemplo brilhante de como a tecnologia pode ser utilizada para superar desafios significativos em comunidades remotas, promovendo a inclusão, a educação e a segurança. O Tablet Comunitário é uma ponte para um futuro mais conectado e informado, tendo cada cidadão acesso a informação e serviços essenciais, independentemente da sua localização geográfica. É apenas o início de uma série de descobertas empolgantes que prometemos apresentar ao longo do ano, onde inovação e empreendedorismo se encontram para fazer a diferença em Moçambique. Chamamos desde já a atenção para mais revelações inspiradoras que futuramente virão.