Há pessoas que criam empresas. Outras preferem criar ligações entre pessoas, ideias e oportunidades. É neste segundo espaço que se encontra grande parte do percurso de Jorge Duarte Bruno, empresário que tem vindo a reunir formação, consultoria, networking, investimento e tecnologia numa visão comum para o desenvolvimento empresarial.
Tudo começou com uma inquietação simples. Jorge via pessoas com talento e capacidade, mas sem acesso ao conhecimento, às redes, ao capital ou às oportunidades necessárias para transformar esse potencial em resultados. Foi essa realidade que moldou a forma como passou a olhar para o empreendedorismo. “Empreendedorismo significa também identificar problemas, construir soluções, mobilizar pessoas e criar valor económico e social.” Com o tempo, essa visão deu origem a diferentes iniciativas. A Business Touch Holding tornou-se o ponto agregador de uma estrutura que inclui a The School of Mastermind Academy, dedicada ao desenvolvimento de competências, a Business Touch Consulting, orientada para a estratégia empresarial, a Global Business Network África, focada nas conexões e oportunidades, e a Global Business Investment, ligada à aproximação entre negócios e capital. A estas juntam-se a Xavaq, na área do comércio digital, e os Clubs, concebidos como comunidades empresariais permanentes. Mais do que uma colecção de projectos, Jorge vê nestas iniciativas diferentes peças da mesma construção.

É nesta cadeia que o seu papel ganha sentido. Jorge surge como um ponto de encontro entre diferentes necessidades do empreendedor. Alguém pode começar pela formação, precisar depois de estruturar o negócio, encontrar parceiros, chegar ao mercado e, mais tarde, procurar investimento.

Pessoas de antes empresas

Na base desta visão está uma convicção: empresas mais fortes começam por pessoas mais preparadas.

“Nenhuma transformação económica pode ser maior do que a capacidade das pessoas que a executam.” Para Jorge, Moçambique precisa de profissionais capazes de gerir empresas, interpretar mercados, controlar custos, vender, negociar e utilizar a tecnologia. Por isso, defende uma formação menos preocupada apenas com certificados e mais orientada para aquilo que cada pessoa consegue realmente fazer com o conhecimento adquirido. Esta preocupação ganha particular importância quando olha para a juventude. Em vez de jovens vistos apenas como beneficiários de programas, Jorge prefere vê-los como agentes económicos, capazes de criar empresas e gerar emprego. Mas transformar potencial em negócios sólidos exige mais do que uma boa ideia. Exige competências, mentoria, capital, tecnologia, mercado e acesso a redes. É precisamente aí que as várias iniciativas se cruzam.

Uma rede onde os negócios acontecem
Outro elemento central no percurso de Jorge é a criação de relações. “Eu vejo o networking como uma infra-estrutura económica invisível.” A imagem resume bem a sua filosofia. Tal como uma estrada permite que as mercadorias circulem, uma rede empresarial permite que circulem informação, confiança, conhecimento, capital e oportunidades.

É por isso que, nos fóruns e encontros que promove, Jorge procura ir além da simples troca de contactos. O resultado pode ser um empresário encontrar um fornecedor, um investidor descobrir um projecto, uma empresa chegar a um novo distribuidor ou um jovem conhecer alguém capaz de o orientar. A Global Business Network África nasceu desta ideia. Os Clubs procuram levá-la mais longe, transformando encontros ocasionais em comunidades que permanecem activas ao longo do ano. “Um evento acontece num dia, mas uma comunidade permanece.”

Pensar para além de Moçambique

A ambição de Jorge  ultrapassa as fronteiras nacionais. Na sua leitura, uma empresa moçambicana não deve olhar apenas para um mercado de pouco mais de 30 milhões de consumidores, mas perceber a posição do país como porta para a África Austral e para outros mercados do continente. A tecnologia pode tornar essa aproximação mais fácil. É nesse espaço que surge a Xavaq, pensada para aproximar vendedores e consumidores e ajudar empresas locais a chegar a novos mercados. Para Jorge, o futuro passa por empresas africanas mais conectadas entre si, com capacidade para crescer, competir e pensar em escala. “Não quero construir apenas uma organização grande. Quero construir uma organização relevante.” A diferença, explica, está no impacto. O objectivo é fazer crescer a GBNA como rede africana de negócios, fortalecer os Clubs, ampliar a Xavaq e desenvolver mecanismos de investimento, incubação e aceleração, mantendo a formação de pessoas como uma das bases dessa construção. Talvez seja essa a melhor forma de compreender Jorge Duarte Bruno. Não apenas pelas empresas ou iniciativas a que está ligado, mas pelas pontes que procura criar entre elas. E é também assim que imagina o legado. “Se eu construir uma empresa, existe uma empresa. Se eu construir cem empresários, existem cem empresas.”

Mais do que deixar um conjunto de marcas, Jorge quer deixar uma cultura de construção, onde conhecimento gera negócios, relações abrem oportunidades e empresas moçambicanas aprendem a olhar para um mercado muito maior do que aquele que começa e termina nas fronteiras do país.