A praga de cólera que nos tem assolado já ceifou, lamentavelmente, a vida de 141 moçambicanos desde o mês de Setembro último. O total de infectados eleva-se para perto dos 32 mil, o que se traduz numa taxa de mortalidade global relativamente baixa, à volta de 0,4%. Não obstante, a gravidade da situação não pode ser ignorada, dado que estamos perante uma doença que, embora possa ser combatida com tratamento e prevenção por meio de vacina, tem sido fatal.

Metade dos casos têm surgido na província da Zambézia, local que ainda sofre as sequelas do terrível ciclone Freddy que assolou a região em Fevereiro e Março passados. De todas as regiões, é nesta província que se regista o maior número de óbitos, contando-se já 38 vítimas fatais.

A cólera provoca violentos episódios de diarreia, e, apesar de tratável, pode levar ao fatídico desfecho de morte por desidratação se não for devidamente contida a tempo. A doença é, em grande parte, propagada por meio do consumo de alimentos e água contaminados.

Moçambique, infelizmente, figura na lista dos países mais afectados pelas alterações climáticas, circunstância que intensifica a vulnerabilidade das infra-estruturas e serviços essenciais à prevenção da doença.

Paralelamente, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou recentemente para o facto de que, até 2025, o mundo poderá enfrentar um défice no fornecimento de vacinas contra a cólera. Esta situação alarmante poderá afectar mais de 43 países.