Recebemos o sorriso de Silvana, através de correio electrónico, de forma especial. No centro da informação europeia, Silvana Ferrão é Engenheira Ambiental e de Sistemas de Informação Geográfica e trabalha como Gestora de Projectos em Tecnologias de Informação, na União Europeia, em Bruxelas. 
Foi aos 22 anos que esta cidadã moçambicana experimentou, pela primeira vez, latitudes diferentes, quando viajou para o norte de Inglaterra para ingressar num Mestrado na Universidade de Leeds. Na altura, foi uma bolsa de estudos da organização Graça Machel Trust, em parceria com a sul-africana Sasol, que lhe permitiu testar os seus limites. Dali, atravessou o Oceano Atlântico até aos Estados Unidos da América, e, mais recentemente, no país do Tintim – a Bélgica –, alcançou a sua segunda residência permanente.

O gosto pelas tecnologias chegou cedo. A mãe, professora de química, acabou por despertar nela o interesse pelo mundo científico, ao mesmo que o pai a iniciava na área da tecnologia e a estimulava a procurar mais conhecimento. “Uma das minhas professoras do ensino primário sempre dizia que esse seria o caminho para mim (...). Vim culminar exactamente na área de tecnologias e inovação digital, e tem sido bastante interessante”, partilha.

Quando lemos a descrição do cargo de Silvana, ficamos, no mínimo, impressionados, ao compreender o impacto e a exigência do trabalho desta jovem de 30 anos. O empenho, a dedicação e a responsabilidade são três dos ingredientes chave por que pauta o seu trabalho, como nos explica: “Lido com tecnologias de informação e inovação ligadas a várias áreas cruciais para o desenvolvimento sustentável. Isto inclui o meio ambiente e os seus recursos, transportes, educação e parcerias internacionais ligando a União Europeia, os estados-membros, estados candidatos e parceiros de diversas regiões - ACP (África, Caribe e Pacífico), Ásia, Américas – entre outros. Além disso, o facto de ter sido colocada na sede da União Europeia, mesmo com a minha nacionalidade estrangeira, algo que não é comum, exige de mim certa responsabilidade”.

À responsabilidade, juntam-se os desafios constantes, já que a tecnologia está, hoje em dia, no centro de muitas operações. Exactamente por isso, Silvana reconhece o interesse comum em prol de um futuro mais sustentável, integrado, de forma que várias nações ajam de acordo com a agenda 2030 dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, para “não deixar ninguém para trás”.

Embora longe, Silvana mantém o seu radar focado no mercado nacional e tem acompanhado o surgimento, nos últimos anos, de várias iniciativas, a começar por aplicativos digitais feitos por moçambicanos para melhorar a vida de moçambicanos. Acredita no potencial de Moçambique na área tecnológica de tal forma que considera existir muito potencial por explorar e para inovar: “É preciso também que haja incentivo, reconhecimento e mais exposição para se poder despertar o interesse de vários outros sectores’, sublinha.

Mas Silvana Ferrão não se fica por aí. Actualmente faz parte da Graça Machel Alumni Network (GMAN), uma organização formada para ajudar raparigas e mulheres a entrarem no ramo académico, principalmente nos domínios de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, uma iniciativa que já lhes valeu um prémio do Graça Machel Trust Africa. No seu íntimo, Silvana tem o um projecto pessoal: “Gostaria também de poder implementar uma oficina digital móvel, em zonas rurais, de modo a dar oportunidade a crianças e jovens, independentemente do seu género, para aprenderem um pouco mais sobre o mundo digital, tecnologias e inteligência artificial. A oficina seria móvel, não só para reduzir custos de implementação mas também para poder chegar a mais jovens ao longo de um determinado tempo”, explica.

Nesta fase, enquanto a ideia do projecto pessoal de Silvana está a ser desenvolvida no centro de Bruxelas, haverá interessados em parcerias para a pôr em andamento? Ficamos nós e Silvana a aguardar.