Sabias que Moçambique tem um dos lagos com maior diversidade de espécies do mundo?

O Lago Niassa, que se estima ter uma idade entre um e dois milhões de anos, é um dos Grandes Lagos Africanos, o terceiro maior do continente, a seguir aos lagos Tanganica e Victória, ocupando o nono lugar no ranking mundial. Com 560 quilómetros de comprimento, 80 quilómetros de largura e 700 metros de profundidade, localiza-se no Grande Vale do Rift, na junção Moçambique, Malawi e Tanzânia, numa área de cerca de 31 mil quilómetros quadrados, dos quais 6.400 são território moçambicano. Dá sustento a perto de 10 milhões de pessoas nos três países.

As suas límpidas águas, abundantes em hidrocarbonetos, possuem, a nível de fauna e flora, uma rica biodiversidade, que ascende a 700 mil diferentes espécies, o que lhes confere um elevado valor para investigação científica. Nelas vivem cerca de mil espécies de ciclídeos (família de peixes de água doce), cerca de 30% de todos os ciclídeos conhecidos.  
 


O Lago Niassa é um dos Grandes Lagos  Africanos, o terceiro maior do continente,  ocupando o nono lugar no ranking mundial

Grande tem sido a atenção dedicada ao Lago Niassa pelo Governo moçambicano, que o declarou reserva em 2011. No mesmo ano, o Lago e zona costeira passaram a integrar a lista de zonas húmidas protegidas pela Convenção de Ramsar, a Convenção sobre as Zonas Húmidas de Importância Internacional. A beleza natural do lago convida a banhos e a passeios de barco, concedendo à região um imenso potencial turístico.  

Importa aqui referir que não tem sido fácil a relação entre o Malawi e a Tanzania quanto à posse de uma parcela do lago. Se, por um lado, o Malawi defende o direito exclusivo de propriedade sobre essa parcela à luz de um tratado assinado em 1890 entre a Grã-Bretanha e a Alemanha, antigas potências coloniais dos dois países, a Tanzânia, por outro lado, rejeita que acordos da era colonial vigorem até hoje, argumentando que o direito internacional preconiza a partilha e fruição de recursos se os limites territoriais assim o impuserem. Tal disputa iniciou há perto de 50 anos, quando os dois países se tornaram independentes, tendo escalado em 2012, quando o falecido presidente do Malawi, Bingu wa Mutharika, concedeu a uma companhia britânica os direitos para ali explorar petróleo e gás.  

Por curiosidade se diga que, na língua cinyanja, falada na orla do lago, Niassa (ou Nyasa) significa “lago”, e o nome do povo que ali habita, os nianja (ou Nyanja), quer dizer “povo do lago”.