Duas horas de diferença são suficientes para uma nova forma de viver. A correr bem, não será para sempre, mas com certeza que será uma vida desfrutada com uma postura ‘maningue’ positiva. Do Dubai para Maputo, Roxanne Santos, International Trade Marketing Manager do IFFCO Group – um grupo internacional que produz e comercializa uma gama de produtos alimentares, seus derivados e serviços – escreve-nos sobre si e a sua experiência nos Emirados Árabes Unidos.

Adivinha-se o sorriso do outro lado do écran enquanto conversamos com a gestora através de correspondência electrónica. Sem acuidade científica, podemos assumir que a curiosidade de explorar o mundo lhe foi passada pelos pais, também eles emigrantes. A viver naquele país, em Dubai, Roxanne começou por explorar geografias além seu país natal quando saiu de Maputo e ingressou no ensino superior em Portugal. 

“Herdei dos meus pais o espírito de aventura”, conta, orgulhosa. “Depois de estudar fora, iniciei a minha carreira em Moçambique, foram 4 anos de trabalho, e, apesar de amar o país e a vida que tinha, senti que precisava de uma escala mais global, onde pudesse ter uma exposição multicultural, alargar os horizontes, ter experiências diferentes, viajar, etc.”, acrescenta. Este passo tem tido um efeito verdadeiramente catalisador, já que Roxanne acredita que ter saído de Moçambique para explorar outros mercados foi a decisão mais indicada na fase que está a viver. No entanto, o coração fala mais alto e haverá sempre a possibilidade de voltar um dia a Moçambique.

“Depois de estudar fora, iniciei a minha carreira em  Moçambique, 4 anos de trabalho, e, apesar de amar o país e a vida que tinha, senti que precisava de uma escala mais global, onde pudesse ter uma exposição multicultural,  alargar os horizontes, ter experiências diferentes, viajar, etc.”

 A licenciatura em Gestão de Empresas, feita em Lisboa, Portugal, levou-a a explorar várias áreas, desde departamentos comerciais aos de marketing. Embora o seu percurso profissional se divida por estes dois eixos, é com honestidade que confessa que não consegue escolher uma área preferida. “É uma pergunta para a qual ainda não tenho resposta, acho que ainda estou a desenvolver competências em ambas, e por enquanto gosto deste equilíbrio”, admite, acreditamos nós, com autoconfiança no trabalho que tem vindo a desenvolver. 

A verdade é que o trabalho de Roxanne Santos é desafiante e divertido. As palavras são suas: “Estando constantemente no meio de dois departamentos, é necessária muita coordenação e gestão de pessoas, mas, quando se gosta e se está numa boa equipa, torna-se mais fácil. Acho muito importante gostarmos do que fazemos e das pessoas com quem o fazemos.” 

Privilegia o dinamismo e a diversidade cultural e acredita, acima de tudo, que tem um papel a desempenhar na construção de uma sociedade mais igualitária, uma vontade sem fronteiras ou latitudes. A par de valorizar bastante a sua família, a forma de estar descontraída poderá ser uma das suas maiores heranças de Moçambique. É esperar que, além das notas de música, as dunas do deserto permitam matar saudades dos areais de Bazaruto.