De peixe serra passou a ter à mesa fish and chips. Tal como muitos, encontrou na Terra de Sua Majestade a ilha das grandes oportunidades. Hoje, Joca Fonseca fala-nos sobre a sua experiência de viver numa das capitais mais cosmopolitas do mundo, Londres, mas é com segurança e vontade que afirma querer ser Ministro da Cultura e Turismo de Moçambique. Di-lo sem ofender nem atacar ninguém. Di-lo com alegria e o amor desmedido que tem pelo seu país.
Nasceu João Carlos da Fonseca, há quase 40 anos, mas é por Joca Fonseca que toda a gente o trata. Maputense, conhece as ruas e os bairros da capital moçambicana como ninguém, já que passou a sua infância e juventude ao ritmo do serviço do pai, que fez a família mudar algumas vezes de morada.
O dinamismo, a coragem e a rebeldia podem ser características associadas à forma de vida de Joca. Foi o somatório de tudo isso que levou a que quisesse descobrir o que se passa além da Cidade das Acácias. “Os meus dois irmãos saíram muito cedo de Moçambique. A dada altura, as minhas viagens para fora começaram a ser constantes, mas nunca tinha pensado em sair de facto. Quando os meus tios, que viviam no Reino Unido, vieram a Moçambique de férias, puseram-me este bichinho de ir viver nesse país. Nessa altura, eu estava já a trabalhar, mas sentia que Moçambique tinha ficado pequeno para mim e precisava de crescer e abraçar novos desafios”, partilha.
Joca tem sido bem-sucedido. O atrevimento e a boa disposição levaram-no a assumir a presidência da juventude moçambicana, cargo que lhe permite organizar muitos eventos e celebrar a cultura moçambicana
Joca Fonseca fez muita coisa profissionalmente, mas esteve sempre ligado à segurança civil. “Passei pela Escola Aeronáutica, fiz Direito e trabalhei nos Aeroportos de Moçambique como técnico aeronáutico, como bombeiro”, conta. Hoje em dia trabalha para o governo alemão, na Embaixada da Alemanha em Londres.
Sobre Londres, Joca conta: “Cidade de sonho para alguns, foi para onde a vida me levou, mas nunca se sabe até quando. Gosto de desafios, e quem sabe se a vida não me voltará a desafiar”. Pai de quatro filhos, Joca assume que todo o processo de sair do seu conforto social não foi fácil: “Em Moçambique já tinha conquistado o meu espaço, e, ao chegar a um país diferente, com cultura e língua diferente, tive de começar do zero”, confessa. Até gerir o frio foi um desafio inesperado, revela, entre sorrisos, através da correspondência electrónica que trocámos.
Mas Joca tem sido bem-sucedido. O atrevimento e a boa disposição levaram-no a assumir a presidência da juventude moçambicana, cargo que lhe permite organizar muitos eventos e celebrar a cultura moçambicana. Com humor, recorda que estes momentos são importantes, quanto mais não seja para saborear uma 2M gelada. E afirma convicto: “Acho que é fundamental para os nossos filhos crescerem de alguma forma ligados à nossa cultura, temos que saber de onde viemos. Só assim saberemos para onde vamos, daí a nossa luta constante em trazer e fazer coisas para nossa comunidade. Já trabalhámos com alguns artistas moçambicanos. Conheço mais ou menos este mundo, e gostaria um dia de ser Ministro da Cultura em Moçambique. Não que queira tirar o lugar de alguém, mas por achar que posso ajudar o meu país neste aspecto. Acho que tenho outra visão e outro tipo de conhecimento.”
Se não chegar a Ministro da Cultura, Joca Fonseca será, com certeza, um excelente embaixador de Moçambique.
