Consideram que a vossa instituição está preparada para lidar com os mais variados tipos de ameaças informáticas?
A nossa área de tecnologias de informação está em constante evolução e capacitação para garantir máxima protecção e antecipação de eventuais ameaças. Sabemos, contudo, que os atacantes também acompanham esta evolução, razão pela qual a monitoria contínua das tendências globais é obrigatória para qualquer instituição que queira estar preparada para lidar com as várias ameaças. Existe uma cultura de colaboração entre diversos actores e as autoridades para a partilha de informações e aprendizado com o intuito de estarmos cada vez mais capacitados no que toca à segurança do nosso ambiente. No entanto, é importante termos em conta que, quando falamos em segurança cibernética, a vantagem competitiva é limitada, uma vez que a colaboração é de extrema importância para se garantir o crescimento e o desenvolvimento. Encontramo-nos num ambiente onde parte da nossa informação é partilhada com partes externas, como, por exemplo, reguladores e operadores de infra-estruturas e serviços financeiros, que também são, todos eles, alvos apetecíveis para ataques cibernéticos.


Que tipo de medidas toma o Banco para combater os ataques cibernéticos? 
O Banco tem um modelo proactivo e multidisciplinar de segurança, com capacidade para identificar, proteger, detectar, responder e recuperar ataques, sejam eles em ambientes físicos e/ou digitais. Ou seja, dispomos de mecanismos e controlos preventivos e de detecção, e também planos de recuperação para assegurar a intervenção activa em qualquer um dos momentos.


Quais é que são os problemas mais frequentes de cibersegurança em Moçambique?
Os problemas não são localizados, ou seja, na era actual os problemas são globais. Portanto, existe um mecanismo denominado “engenharia social” onde os cibercriminosos usam a persuasão para conseguir que baixemos a nossa guarda, encorajando-nos a tomar decisões impulsivas e prejudiciais com o intuito de nos fazer cometer erros que coloquem em causa a segurança ou disponibilizar informações sensíveis e confidenciais. Este mecanismo é comumente usado sob a forma de phishing, smishing e vishing, que ocorrem através de e-mails, SMS e chamadas telefónicas, respectivamente, e à semelhança do resto do mundo, têm-se tornado relevantes no contexto da cibersegurança em Moçambique. Adicionalmente, a engenharia social pode levar a ataques que exigem resgates, dirigidos principalmente a organizações empresariais, onde ameaçam expor dados de clientes e/ou dados confidenciais em páginas web públicas ou na ‘Dark Web’.
 

Devido à época festiva, deveremos ter cuidados extraordinários?
Devemos ter cuidado ao longo de todo o ano. Claro que nesta época poderemos estar mais propensos a baixar a guarda, e é sem dúvida necessário estarmos alerta. Tal como expliquei anteriormente, a engenharia social, tem como objectivo fazer-nos cometer erros de segurança e está centrada na componente humana. Portanto, é imperioso estarmos atentos às decisões tomadas no geral, e principalmente em relação aos pedidos para cedência de informações pessoais, prémios fáceis de ganhar, aquisição de riqueza instantânea e depósitos ou reembolsos em numerário.


Enquanto cidadão comum, a que tipo de ataques é que devemos estar atentos? Quais os procedimentos imediatos que um cliente deverá tomar se tiver suspeita de que está a ser vítima de uma fraude?
As pessoas, como indivíduos, são o alvo com maior probabilidade de sucesso para os cibercriminosos, portanto, volto a reiterar a necessidade de reforçar a atenção em relação às decisões que são tomadas. E, nestes casos, as formas de engenharia social que são mais usadas incluem phishing, smishing e vishing, onde o receptor de um email, sms ou chamada telefónica é solicitado a empreender uma acção que pode resultar na divulgação de informações pessoais e confidenciais, como, por exemplo, o número do seu cartão bancário, senhas de acesso ou mesmo as respostas secretas às questões de segurança. E, nestas situações, recomendamos que o cliente informe de imediato o seu banco sobre qualquer e-mail, sms ou chamada suspeita por forma a que as equipas, em conjunto com as entidades competentes, possam responder rapidamente e bloquear a actividade maliciosa antes que o acto danoso ocorra.


E enquanto empresa? No contexto empresarial, como costumam ocorrer os ataques e onde as empresas deveriam investir? 
As empresas têm estado a investir cada vez mais nas suas tecnologias de informação, quer ao nível da robustez das infra-estruturas, quer ao nível de inteligência de sistemas, com vista a melhorar a protecção do ambiente tecnológico, o que torna a intrusão cada vez mais difícil para os cibercriminosos. Porém, está comprovado que 93% dos ataques cibernéticos bem sucedidos às empresas têm uma componente humana, motivo pelo qual é importante que haja uma constante sensibilização em relação às decisões que tomam. As empresas devem investir em paralelo na consciencialização, formação e comunicação sobre os tipos de ataques frequentemente usados, com vista a capacitar as suas pessoas para as mais diversas situações e, deste modo, reduzir o efeito da componente humana em relação à engenharia social. Adicionalmente, é importante que garantam o investimento em actualizações automáticas dos próprios sistemas, como é o caso do patching (Patching é um processo para reparar uma vulnerabilidade ou uma falha que é identificada após o lançamento de uma aplicação ou de um software. Os patches recém-lançados podem corrigir um bug ou uma falha de segurança, podem ajudar a melhorar aplicações com novas funcionalidades e corrigir vulnerabilidades de segurança), que pode representar um enorme retorno em termos de segurança cibernética, tendo em conta que um simples acto como a actualização do patch pode reduzir significativamente as opções para ataques.


Numa era pós-covid, em que o mundo digital ganhou um enorme destaque, notam que este tipo de ataques está mais evoluído e frequente?
Claramente que a pandemia veio acelerar e capitalizar a digitalização, o trabalho remoto e a adequação de tecnologias para assegurar a prestação contínua dos serviços aos clientes. Contudo, esses ataques sempre estiveram presentes, só que agora há maior exposição, pela dimensão e amplificação da digitalização. E é por isso que temos apostado cada vez mais na consciencialização e compreensão individual em relação a estes riscos, com vista à salvaguarda da informação e do negócio em si.


Se pudesse definir três dicas essenciais para estarmos mais alertas, quais seriam?
Há várias dicas sobre este tema e recomendo que possam ler sobre elas, mas muitas vezes é estarmos atentos e usarmos o senso comum, como por exemplo:

• Se algo parecer demasiado bom para ser verdade, provavelmente é uma fraude. Portanto, esteja sempre atento, proteja os seus dados pessoais e não partilhe informação.

• Manter sempre as aplicações e dispositivos electrónicos actualizados e até mesmo colocar as notificações de actualizações automáticas.

• Criar palavras-passe complexas e, principalmente, não as partilhar com ninguém.