Nyau

Património Cultural Imaterial da Humanidade

Sabia que existe em Moçambique uma dança que foi declarada pela UNESCO, em 2008, Património Cultural Imaterial da Humanidade? Tal dança, que é simultaneamente um ritual, é o Nyau, uma das manifestações do rico espólio artístico de Moçambique. É praticada pelos Chewa, que se encontram em três países da África Austral, nomeadamente Moçambique, Zâmbia e Malawi. Em Moçambique, é predominantemente praticada na região norte da província de Tete, em particular nos distritos de Tsangano, Marávia, Chiúta, Moatize, Angónia, Chifunde, Zumbo e Macanga.

Ultrapassando em muito a dimensão de uma mera dança, o Nyau contempla artes e técnicas, história e cultura, que foram sendo transmitidas ao longo de gerações. Como abordagem de educação dos jovens, é um meio de integração social e preservação dos valores da comunidade. Exigindo agilidade, sacrifício, virilidade e heroísmo, a sua prática passa por várias fases, dentre as quais se destacam a candidatura, provas de resistência, a aprendizagem dos princípios da irmandade e comunidade e a integração no grupo.

O Nyau é uma das raras danças tradicionais de Moçambique em o dançarino usa máscara


Existem várias versões no que toca às origens do Nyau. Refere uma delas que a sua génese está associada à formação do Estado Undi, por volta do século XVI, como forma de demonstração de poder perante os povos conquistados. Outra versão sustenta que o Nyau terá sido criado antes de 1500 d.C. por pastores, que durante a pastorícia construíam figuras denominadas Nyama imitando os seus animais. Subsiste ainda uma versão associada à fome: a falta de alimentos terá afectado a harmonia social, a ponto de os homens enveredarem por práticas astuciosas, como fazer-se passar por animais selvagens, amedrontando as mulheres, em busca de sustento.  

O Nyau é uma das raras danças tradicionais de Moçambique (outra é o Mapico) em que o dançarino usa máscara. Feita de penas ou de madeira, tem a função de identificar os membros da sociedade secreta, escondendo-lhes o rosto para preservar a sua identidade. A irmandade vai mais longe, acreditando que a máscara absorve os espíritos dos antepassados.  O dançarino com esta máscara apresenta-se besuntado com lama e ornamentado com fibras ou pedaços de panos, que formam pequenos saiotes que se amarram à cintura, aos antebraços, abaixo dos joelhos e aos tornozelos.

A proclamação do Nyau como património da humanidade veio associar-se à da Ilha de Moçambique (cidade) e à da timbila (instrumento musical), que em 1991 e 2005, respectivamente, obtiveram igualmente o mais alto reconhecimento e distinção da UNESCO, actos que ergueram o nome de Moçambique além-fronteiras.