Há quem diga que os amores nascidos durante os tempos áureos de escola são para sempre. Não sabemos se este dito urbano é mito ou verdade, mas acreditamos piamente que o sentimento que levou Nâusica Omar Taia a rumar até Luanda foi decisivo para a construção da profissional, e, acima de tudo, da pessoa em que se tornou. Atravessámos o continente para o descobrir. 


Uma década fora do nosso país é muito tempo. No caso de Nâusica Omar Taia, emigrar para a capital angolana foi a concretização de muitas ideias que tinha sobre o país do semba. Só para melhor. “Eu já estava familiarizada com o país antes de me mudar [para Luanda]. Vinha há alguns anos para visitas regulares a nível pessoal, e, depois de juntar-me a uma empresa de telecomunicações angolana, sendo uma empresa sediada em Angola, vinha também para visitas profissionais. Embora não tivesse nenhuma ideia pré-concebida que não estivesse de alguma forma alinhada com a realidade, houve muito que aprendi sobre Angola estando aqui”, conta-nos Nâusica.

Moçambique é um país muito inovador, e até bastante avançado em vários aspectos, o que cria um terreno fértil para implementar novas ideias

Formada pela Universidade de Roehampton, em Londres, e actualmente a fazer o EMBA (Executive Master of Business Administration) pela Quantic School of Business and Technology, a nossa gestora iniciou os seus estudos na África do Sul, onde conheceu o marido. Hoje, passados 10 anos de casamento (e 22 ao lado do marido) e de vida em Luanda, Nâusica assume que “contribuir para o crescimento de uma marca que já é gigante fora de Angola, trazer a mesma grandeza para o contexto angolano, é um grande desafio”. O seu objectivo é fazer com que a marca para a qual trabalha granjeie o mesmo respeito que tem noutras geografias de África. “Em Angola, e sendo nós um dos bancos mais recentes no país, é de facto um grande desafio, mas um desafio que, com toda a certeza, estamos a vencer”, afirma Nâusica, como Gestora Sénior de Negócios para o Standard Bank em Angola.

“Sinto que no meu tempo fora de Moçambique amadureci bastante a nível profissional porque tive a oportunidade de trabalhar em vários sectores (telecomunicações, FMCG, financeiro), e também a experiência adquirida num mercado totalmente diferente me dá uma perspectiva que permite trazer algo diferente. Moçambique é um país muito inovador, e até bastante avançado em vários aspectos, o que cria um terreno fértil para implementar novas ideias”, partilha a gestora.

As visitas regulares a Moçambique têm despertado em Nâusica várias ideias sempre que aterra em Maputo: “Tenho muitos projectos em papel que gostaria de fazer em Moçambique, alguns mais, outros menos complexos. A ideia de criar um espaço de intercâmbio comercial e cultural entre os dois países sempre me agradou, e hoje é cada vez mais possível, porque as plataformas digitais tornaram isto mais fácil”.

Curiosa, Nâusica não nos diz explicitamente que a sua vontade constante de aprender é que a levou até ao sítio onde está nos dias de hoje, mas percebemo-lo nas entrelinhas. “O mundo de negócios é cada vez mais dinâmico e é muito fácil tornarmo-nos irrelevantes; a experiência é um grande aliado do crescimento profissional, mas pode igualmente ser um grande obstáculo, então temos de manter um equilíbrio entre a busca contínua de aprendizagem e o respaldo que temos na nossa experiência. Estou constantemente à procura de formas de desenvolvimento, não só a nível académico, mas também a nível pessoal e social porque cada vez mais se precisa de uma liderança mais humana, e isto também se alcança através da interacção social e crescimento espiritual de cada um. Em suma, o equilíbrio destes quatro aspectos dá-nos um grande avanço a nível de crescimento e desenvolvimento pessoal.” Do nosso lado, só podemos rematar que Luanda está já ali.