Que a energia move montanhas, já sabemos. No caso de Mário Gomes, foi o interesse pelo desenvolvimento internacional que o fez transformar-se num profissional que se move por diferentes latitudes, sempre tendo em mente a eficiência da energia. De Abidjan, na Costa do Marfim, este moçambicano conta-nos como é que tem somado experiências em vários países a trabalhar para o Banco Africano de Desenvolvimento.  
Hoje, é directamente do principal centro financeiro da África Ocidental, Abidjan, que Mário Gomes nos escreve. Daqui a uns dias, ou na semana seguinte, já não saberemos. Gestor de projectos para o sector privado, particularmente com grande enfoque no desenvolvimento económico local e pequenas e médias empresas (PMEs), está fora há quase 4 anos – após uma experiência de quase 3 anos em Nairobi, no Quénia –, embora passe semanas e meses, todos os anos, em missões, a identificar necessidades, a desenhar e a implementar projectos de desenvolvimento para clientes públicos e privados.

Gomes entrou cedo em organizações internacionais e em bancos multilaterais de desenvolvimento, desde o Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), a Corporação Financeira Internacional (CFI) – braço privado do Grupo Banco Mundial –,  o Centro de Comércio Internacional (CCI), uma agência conjunta da Nações Unidas e da Organização Mundial do Comércio (OMC), ou mesmo o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), entre muitas outras instituições privadas, e do ensino superior, como docente, o que o levou a ter a consciência de que teria que se mover bastante ao longo da sua carreira: ‘’Eu sabia que me tornaria um cidadão global. A minha vida profissional seria outra, e tive de aceitar que viajar periodicamente pelo mundo faria parte dessa rotina. Conhecer colegas com diferentes formações académicas e profissionais, experiências e culturas, além de atender às necessidades de clientes em diferentes contextos seria um dever’’.

De forma a ajudar e a contribuir para a redução da pobreza e as assimetrias sociais, algo importante para Mário, o moçambicano estava disposto a ir mais longe, ‘’onde pudesse fazer a diferença, e que exigia a concepção e implementação de projectos para atender às necessidades dos clientes, em todos os lugares’’, como partilha, através de correspondência electrónica.

‘’Nos últimos 17 anos, trabalhei em mais de 25 países, principalmente em África, mas também na Ásia (China). Portanto, sair de Moçambique, e trabalhar no estrangeiro, é consequente, é uma coisa natural. O segundo aspecto é que fui criado por uma mãe solteira, que me ensinou desde cedo que somos nós que definimos o nosso futuro, sendo que o passado e o presente não podem definir para onde devemos ir e o que devemos ser. Além disso, li dezenas de livros sobre grandes pessoas que viajaram pelo mundo com a intenção de causar impacto e, finalmente, sendo jogador de basquetebol durante 12 anos, também aprendi a sentir-me confortável com as mudanças constantes’’, como num jogo de bola ao cesto onde, num segundo, tudo pode mudar, de uma derrota aparente a uma vitória final, e vice-versa” – partilha.

Aos 51 anos, Mário Gomes divide o seu tempo entre as suas obrigações profissionais, a actividade desportiva diária (basquetebol, um eterno amor, natação e ioga), os estudos de pós-graduação no Reino Unido (onde neste momento se encontra no final do primeiro ano do mestrado em Finanças e Economia de Energia na Universidade de Aberdeen, após ter concluído, há 1 ano, o MBA em Petróleo e Gás), viagens de trabalho e, obviamente, o cuidar da família. Está dedicado à missão do Banco Africano de Desenvolvimento e pretende expandir o seu conhecimento e implementar projectos na África Central e do Norte, sempre com Moçambique no pensamento. Aliás, diz-nos: “Tenho três projectos em Moçambique, em torno de conteúdo local e desenvolvimento de PMEs, que são implementados por duas entidades, a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) e o Instituto de Promoção de Pequenas e Medias Empresas (IPEME). Pedidos semelhantes têm vindo a ser enviados por países-membros, como a Guiné Equatorial e a Mauritânia, ao Banco, o que mostra que Moçambique está bem posicionado no mapa continental como um exemplo de implementação de projectos para PMEs.