Numa importante iniciativa para a cultura moçambicana, o Ministério da Cultura e Turismo submeteu a dança mapiko à consideração da UNESCO para sua inclusão na lista de património cultural imaterial com necessidade de salvaguarda urgente. Esta candidatura, anunciada na 18ª sessão do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, realizada de 04 a 9 de Dezembro em Kasane, Botswana, é um passo significativo na protecção e promoção do legado cultural de Moçambique.
O mapiko, também conhecido como “in'ngoma ya mapiko”, é uma prática cultural profundamente enraizada no Planalto de Mueda, abrangendo os distritos de Mueda, Nangade e Muidumbe, na província de Cabo Delgado. Parte integrante dos ritos de iniciação makonde-likumbi, o mapiko é uma mistura de expressões artísticas, combinando música, dança e representação teatral, e desempenha um papel crucial em cerimónias comunitárias, incluindo celebrações e rituais fúnebres.

A decisão de propor o mapiko para a lista da UNESCO foi motivada por preocupações com a sua possível extinção, agravada por ataques terroristas que têm ocorrido nas regiões onde é tradicionalmente praticado, além de riscos ambientais como ciclones frequentes. A candidatura visa sensibilizar os jovens para a importância da identidade e tradições macondes, fomentando o respeito pelo rico espectro cultural da região.

Eldevina Materula, Ministra da Cultura e Turismo, destacou a importância desta iniciativa salientando que a candidatura do mapiko reflecte o empenho de Moçambique em preservar a memória cultural do seu povo. Ao proteger esta expressão artística, o país busca não apenas valorizar o legado dos seus ancestrais, mas também assegurar a continuidade e transmissão dos valores e conquistas contemporâneas às gerações futuras. A ministra expressou a esperança de que, com o reconhecimento da UNESCO, a dança Mapiko possa contribuir para reforçar a coesão social e territorial, não só em Cabo Delgado, mas em todo Moçambique e, possivelmente, a nível mundial.

A inclusão do mapiko na lista da UNESCO representaria um reconhecimento internacional da sua relevância histórica, estética e artística, e seria um testemunho do compromisso global com a preservação da diversidade cultural. Esta candidatura é um passo vital para salvaguardar e celebrar a herança cultural de Moçambique, reafirmando a importância da arte e da cultura na construção de uma identidade colectiva inclusiva e dinâmica.