“Comecei a fazer comédia stand-up em 2017, em Nampula. No princípio, era principalmente por diversão e porque achava que podia ganhar dinheiro divertindo-me. Sempre gostei de criar coisas novas. Na época, não conheciam esta arte em Nampula. Reuni amigos e criei um grupo intitulado “Juntos e Misturados”, e começámos a fazer apresentações. Posteriormente, mudei-me para Maputo e comecei a fazer apresentações com o Rico Biosse. Sinto-me extremamente realizada com o meu trabalho, porque comecei quase como uma brincadeira, e actualmente é a minha profissão. Rir liberta a alma.
As ideias para a comédia e para meu trabalho surgem do quotidiano, das coisas que vivo e observo. Na realidade, o que faz o público rir de alguma piada ou história é uma situação em que ele se identifica. A piada é o resultado da soma de uma verdade e um pouco de dor.
Sinto-me extremamente realizada com o meu trabalho, porque comecei quase como uma brincadeira e actualmente é a minha profissão. – Maira Santos
Quando decidi enveredar pelo mundo da comédia, assisti a um vídeo do Afonso Padilha que me inspirou bastante, e sonhava poder conhecê-lo pessoalmente e agradecer-lhe pelo trabalho incrível que ele faz. Em Março deste ano surgiu a oportunidade de ir ao Brasil, onde, para além de o conhecer, fiz a abertura de um dos seus shows e, no fim do show, pude tecer algumas palavras, agradecendo-lhe directamente em palco. Nunca imaginei que pudesse concretizar este sonho. A nível internacional, tenho como referências o Afonso Padilha e o Rodrigo Marques, ambos humoristas brasileiros. No que toca a referências de Moçambique, gosto imenso do Gilberto Mendes como humorista no geral.
A pandemia me trouxe um desafio. Com tudo fechado e sem podermos fazer shows, surgiu a oportunidade de levar a comédia dos palcos para a televisão. Fui a primeira mulher no nosso país a fazer um programa de comédia stand-up. Descobri então essa inclinação como apresentadora de televisão. Hoje considero que as técnicas que aprendi na televisão ajudam bastante os outros projectos que vou criando.
A globalização está a caminhar para o digital. Nos tempos que correm, através de uma plataforma digital podemos acompanhar um show de comédia de um humorista que vive em qualquer canto do mundo. Com apenas um click, a divulgação de um trabalho pode ser feita em tempo recorde, com uma exposição tridimensional.
Os maiores desafios que enfrentamos actualmente são a valorização do artista como artista, a integração do mesmo como um mecanismo eficaz de relações e acordos entre países e a protecção de todos os fazedores de arte. A arte tem um impacto surreal, a arte caracteriza, destaca e agrega um enorme valor para o país, e conecta pessoas, independentemente da raça, etnia ou orientação sexual.
Alguns dos meus projectos para o futuro já estão em andamento. Comecei recentemente um podcast intitulado FalaCastMoz e o The Comedy Club, que é a primeira casa de comédia em Moçambique.
