No coração de Moçambique pulsa a batida rítmica de danças tradicionais, um tesouro cultural que, muitas vezes, permanece no esquecimento. Nascendo desse anseio de reavivar essa rica tapeçaria de movimentos e ritmos, surge o projecto Kukhina, uma iniciativa que pretende promover e dinamizar a dança nacional em várias frentes.
Impulsionada pela paixão de duas bailarinas que, em tempos idos, na efervescência da juventude, dançaram juntas, a Kukhina surge após uma pausa de quase uma década em que a vida, com seus trilhos profissionais, matrimoniais e maternais, as desviou da dança. Mas o verdadeiro amor, como dizem, nunca desaparece, e foi a vontade de mergulhar novamente no mundo da dança, associada à percepção de que muitos moçambicanos desconheciam a beleza das suas danças tradicionais correndo estas o risco de se perderem nas areias do tempo, que gerou este projecto cativante. A Kukhina percebeu esta urgência de valorizar, salvaguardar e promover o património moçambicano.

Recentemente, a Kukhina apresentou uma performance no Centro Hakuman, onde a marrabenta, uma dança familiar para os residentes de Maputo, foi a protagonista. A alegria irradiava de cada rosto, desde crianças a adultos. Ali, despidos das agruras quotidianas, dançaram, riram e reviveram memórias.

A Kukhina realiza workshops mensais, nos quais não se aprende apenas a dançar: mergulha-se na história de cada dança, nas técnicas de amarração da capulana e na utilização de utensílios específicos. E o impacto é palpável. Mulheres de todas as idades, de cantos tão distantes quanto a Indonésia, o Japão e os Estados Unidos, unem-se para celebrar e aprender. No entanto, os sonhos da Kukhina vão além dos workshops. A visão é criar um documentário que dê voz e visibilidade às danças que praticam e promovem. E, para isso, qualquer apoio – desde participações e conhecimentos até espaços de divulgação – é bem-vindo.

O caminho não tem sido isento de desafios. Muitas danças permanecem indocumentadas, exigindo uma busca incessante junto de gerações mais velhas e grupos de dança tradicionais. Cada história recolhida é uma peça do intrincado quebra-cabeças da cultura moçambicana. O sonho da Kukhina passa por estabelecer um espaço dedicado, realizar espectáculos, e criar obras literárias e audiovisuais. Tudo para que o legado das danças moçambicanas brilhe, não apenas em Moçambique, mas também além-fronteiras.

No final, seja através da vibração dos tambores, da melodia das canções ou do fervor de cada passo de dança, a Kukhina deseja que cada moçambicano sinta orgulho do seu património. E que, independentemente da sua geração, todos possam redescobrir e celebrar o coração pulsante da cultura moçambicana.