O ponto de partida de Khensani foi o mesmo de muitas jovens: sair da sua zona de conforto para se tornar melhor pessoa. Com toda a transparência, a jovem partilha que a ida para a Índia não foi uma escolha sua, mas sim uma solução.
Quantos de nós não saímos do conforto do nosso lar porque procuramos uma educação melhor? Foi o caso de Khensani Shonila. Quando partiu da capital moçambicana, foi para procurar uma melhor educação e um sítio onde ela própria se pudesse encontrar
No que toca à escolha da área de estudo, Khensani optou por seguir as pegadas da família: o pai fez o curso médio de engenharia informática, e a irmã mais velha apostou igualmente na área da tecnologia, no seu curso superior. Ao seguir o mesmo caminho há quatro anos, a jovem acreditou que seria uma escolha segura, por ter apoio, caso dele necessitasse.
“Quando comecei a perceber o que é a engenharia informática, arrependi-me um pouco. À medida que fui ficando mais madura, percebi que o motivo pelo qual tinha escolhido a área não tinha sido o melhor. Mas também não me culpo por isso, porque não tinha experiência suficiente. Se pudesse voltar atrás, provavelmente faria o curso de Gestão e Administração”, partilha Khensani, num momento em que já está a terminar o curso e a estagiar na área de web development.
Na realidade, sair de Moçambique ajudou a jovem a conhecer-se melhor. A maturidade, a superação dos problemas e o conhecimento emocional foram coisas que Khensani acabou por ganhar na Índia
A acrescer às decisões que tomou relacionadas com os estudos, Khensani encontrou vários desafios culturais na sua jornada. O primeiro? A comida. “A comida deles é muito picante. O piripíri deles fez-me mal porque era em quantidade a que eu não estava habituada. Depois, até pequenas coisas, como a língua. Embora muitas pessoas saibam falar inglês, grande parte fala a língua local. Isso acabou por criar um gap e, por causa dessa barreira linguística, no primeiro ano de Faculdade eu acabei por não fazer amizades”, conta a jovem. Outro desafio para Khensani foi sentir que em Anand, a cidade do estado de Gujarat onde vive, a familiaridade com negros não é muito grande. Sentiu-se, assim diz, “quase como uma estátua”.
Na realidade, sair de Moçambique ajudou a jovem a conhecer-se melhor. A maturidade, a superação dos problemas e o conhecimento emocional foram coisas que Khensani acabou por ganhar na Índia. “Hoje penso que não existem muitos problemas que eu sinta que não consigo resolver sozinha. Estar aqui sozinha levou a que superasse muita coisa e deu-me flexibilidade para enfrentar qualquer problema”, confessa. Deste lado, fica a lição de uma jovem que, com as ferramentas certas, tem um mundo por descobrir.
