Será lugar-comum escrever esta peça ao som de Tom Jobim? Podemos deixar o ritmo de fundo e pensar em cada mistura que uma engenheira química terá precisado de fazer para desenvolver “vinho” a partir do mel. Curiosos? Embarquemos com Joelma Murargy, à descoberta do que fez e faz agora no Brasil. 
A curiosidade em descobrir o mundo esteve sempre presente em Joelma. Ainda adolescente, partiu à aventura para lugares onde não conhecia ninguém, porque sentia que era necessário testar a sua capacidade de sobrevivência fora do cuidado dos pais. “Isso era algo que me empolgava”, conta a jovem, de 26 anos. Hoje a viver entre Itajubá, no Estado de Minas Gerais, e a cidade de São Paulo, no Brasil, a engenheira acredita que a oportunidade de descobrir novas culturas é determinante para um crescimento mais humano e mais responsável.

Recém-licenciada, Joelma Murargy entrou há pouco tempo no mercado de trabalho e, mesmo tendo frequentado o curso de Engenharia Química, na Faculdade de Minas Gerais, a UNIFEI, onde o seu trabalho se focou na produção industrializada de “vinho” a partir do mel, está actualmente a trabalhar no mercado financeiro. A educação no sistema brasileiro é diferente da do sistema moçambicano, e é habitual que o estágio seja diferente da formação académica, o que acaba por conferir a cada profissional uma visão mais holística do mercado.

Hoje a viver entre Itajubá, no Estado de Minas Gerais, e a cidade de São Paulo, no Brasil, Joelma acredita que a oportunidade de descobrir novas culturas é determinante para um crescimento mais humano e mais responsável 

“Quando escolhi a engenharia química, sonhava em trabalhar em algum laboratório e focar-me na área de cosmética, mas ao longo dos anos na faculdade comecei a questionar as minhas escolhas”, confessa. Tal como acontece com o caminho de muitas outras pessoas, as expectativas de Joelma não foram ao encontro do que se estava a passar de facto na sua vida. Contudo, continuou e terminou o curso como havia inicialmente projectado. Acima de tudo, a jovem procura um trabalho em que se sinta desafiada diariamente, que tenha um ambiente competitivo saudável, e em que acorde todos os dias motivada, não sentindo que seja uma obrigação ter de ir trabalhar. Quem nunca isto desejou?

Murargy está a escrever a sua história e, não sendo já pelos trilhos da engenharia química, tem projectos que gostava de implementar: “O Banco de investimentos onde trabalho é focado na área digital, no ramo do agronegócio. É um modelo diferente dos grandes bancos porque investe nas relações interpessoais com os seus clientes. Acredito que, se decidir abraçar esta área, depois de alguns anos de experiência no Banco, poderei trazer mais valias para a área de investimentos na banca em Moçambique’, partilha a jovem.

Uma coisa é certa, Joelma terá sempre a sua força de vontade, e o samba, claro. A engenheira partilha, através de correspondência electrónica com a revista Xonguila, que se sente tão envolvida com a cultura brasileira que acaba por não reviver a cultura moçambicana tanto quanto gostaria. “No Brasil, a cultura deles é tão forte que parece que o restante do mundo não existe. Mas, em termos de língua, quando estou em Moçambique, não falo com sotaque [brasileiro]”, declara a jovem. Deste lado, acreditamos que, mesmo quando se senta numa praia daquele país, a jovem lança o olhar e revê o azul do nosso Índico.