A minha jornada iniciou-se quando ainda pequenininha. Sempre gostei de arte! Lembro-me de brincar com o barro, pintar, desenhar, etc., mas houve um período em que ficou adormecido esse lugar em mim, e só anos mais tarde, num certo dia, é que o reactivo. Antes mesmo de ter escolhido o nome para a minha marca, no início de 2015, comecei por criar aleatoriamente, e passei a tê-lo como um hobby. Somente em Janeiro de 2016 dei o passo para a criação de uma página na internet, por influência de alguns dos meus seguidores, inicialmente apenas com o intuito de que a mesma servisse como meio para partilha daquilo que era a minha paixão.
O que mais me inspira a criar é a minha própria busca interna. É a sensação por detrás de todo um processo que antecipa uma criação. É a conexão com a minha própria essência e as emoções que vêm quando a ideia começa a ganhar vida e personalidade. As minhas melhores ideias surgem quando estou conectada à força de tudo o que é! Dentro desse lugar em que posso ser eu mesma, em que me permito receber e materializar inspirações do universo. Em cada criação, quero trazer o entendimento, a energia de como me sinto ao criar, da minha entrega, com o significado de, literalmente, entregar uma parte de mim a cada uma delas. Caracterizo o meu trabalho como um lugar em que a inspiração se une ao lugar de expressão, conexão e liberdade e ganha vida.
O estilo nórdico, traz-me uma sensação de aconchego, simplicidade nos detalhes e cores e, em parte, é o que tentei trazer para as minhas peças. Sou apaixonada pelos detalhes rústicos, e a liberdade que o trabalhar e criar me trazem, de ser eu mesma, de muitas vezes retirar das falhas os detalhes singulares que nenhuma outra peça minha terá. Olho para mim mesma e tento perceber que habilidades eu já tinha quando decidi trabalhar na criação das minhas peças, e vêm-me as seguintes: paixão, vontade e determinação. Em seguida, que habilidades ganhei: paciência, conexão, liberdade e a capacidade de manifestar a criatividade na qual recebia por inspiração.
Tenho em mim uma memória de quando o cimento me escolheu. Sim, isso mesmo! Sinto hoje que foi literalmente isso. Realizei uma viagem a Cape Town, tendo ficado hospedada em casa de um familiar onde havia um vaso em cimento, com uma plantinha. Logo que entrei para o quarto, o meu olho se fixou no vasinho. Segurei nele, e lembra-me de dizer em voz alta: “Quando regressar a Maputo, irei começar a criar vasos em cimento”. Na verdade, não fazia nem ideia de como iniciar tal criação, mas tinha uma firme certeza de que o faria. Não foi nada fácil no início, e até hoje digo que aprendi e aprendo todos os dias sobre a paciência com a arte, e hoje já sei e busco sempre aprender sobre como é trabalhar com este e diversos outros materiais.
Todas as minhas peças são únicas, e a energia em cada uma delas é envolvida desde o instante em que ela surge como uma ideia até ao momento em que é materializada e eu já sinto como seria receber uma das minhas peças e com isso me faria sentir — daí desejar que só sentimentos e emoções positivas sejam sentidas por quem as receber. Considero o foco, a determinação, a criatividade (aliada a expressão única da alma) e a entrega como os ingredientes essenciais para que consigamos prosperar no mundo da arte.
Neste momento ainda não tenho uma loja física/ateliê, mas tenho algumas parcerias com alguns estabelecimentos como o Bairro Bistrô, direccionado para a venda de artigos diversos, produzidos por artistas nacionais, e a loja DeCasa interiores, onde o foco é a venda de artigos diversos de decoração. Interessa-me bastante o tema “diversidade e inclusão” — vejo a minha marca a expandir-se no mercado, trazendo mais postos de trabalho, incluindo homens e mulheres, não somente treinando e capacitando trabalhadores, como também criando oportunidades de formações para todos aqueles que tenham um sonho, que queiram criar a sua fonte de rendimento, incentivando-os nos seus pequenos ou grandes negócios, e ajudando pessoas a descobrirem a sua paixão. Vejo-me a trazer novas perspectivas de implementação de projectos de responsabilização ambiental e social, envolvendo comunidades em alguns deles, apelando para o reaproveitamento maioritariamente de plásticos e vidros na criação de estruturas que venham compor espaços sociais comunitários, parques infantis, etc.
