Num mundo cada vez mais acelerado, onde as exigências do quotidiano frequentemente afastam as pessoas de si próprias, cresce o interesse por experiências que convidam à introspecção, ao equilíbrio e à reconexão humana. Foi precisamente desse desejo que nasceu o Sou Tajiri, um retiro de bem-estar e desenvolvimento pessoal realizado em Salamanga, num espaço que os participantes descrevem como profundamente inspirador. Mais do que um evento, o Sou Tajiri apresenta-se como uma celebração da riqueza interior, da espiritualidade, da conexão humana e da procura de significado. Reunindo dezenas de participantes de diferentes idades, percursos e crenças, a iniciativa procurou criar um ambiente onde cada pessoa pudesse parar, respirar e olhar para dentro de si.
A visão que se transformou em realidade
A origem do retiro remonta ao final de 2023, quando Ira Fonseca sentiu que precisava de viver a passagem de ano de uma forma diferente e foi convidada por uma amiga para aquele lugar que considera mágico. O que começou como uma experiência pessoal acabaria por transformar-se num projecto que hoje mobiliza uma comunidade inteira. “Assim que cheguei, senti profundamente que algo especial estava a ser depositado em mim. Na verdade, tive uma visão deste evento, sem saber exactamente como seria possível concretizá-lo”, recorda. Essa experiência aconteceu na Fundação Minhembeti, em Salamanga, local que acabaria por acolher a segunda edição do Sou Tajiri.
Para Ira, a escolha do espaço nunca foi apenas logística. “Foi mais baseada em algo que senti. Desde a primeira vez que visitei o local, percebi que era um lugar sagrado e que, se tinha recebido aquela visão ali, algo especial teria de acontecer naquele espaço. Depois de partilhar esta visão com a minha parceira Massy Calu com o meu pai, Nuno Fonseca e com o Andre Bergh (House of Healing Cape Town) recebi muito apoio deles para a tornar realidade. Agradeço também à Fundação Minhembeti por ter acreditado no nosso conceito e por ter confiado na nossa marca Tajiri.
A riqueza que não se mede em bens
O próprio nome do retiro revela muito da sua essência. Tajiri significa riqueza, mas não necessariamente a riqueza material que habitualmente associamos ao sucesso: “O conceito foi desenvolvido com base no significado da palavra Tajiri. Toda a experiência foi construída em torno da riqueza espiritual, que acreditamos ser a base de todas as outras formas de abundância que podemos alcançar na vida.” A proposta foi simples, mas profunda: criar um espaço onde os participantes pudessem fortalecer a fé na vida, manifestar sonhos, valorizar as relações humanas e redescobrir a importância de viver plenamente o presente.
Uma experiência construída através dos sentidos
A programação foi desenhada para proporcionar momentos de reflexão, aprendizagem e conexão emocional. O retiro começou com um espectáculo de fogo e sons do tambor djembé, numa celebração das raízes culturais e da energia colectiva. Seguiram-se momentos de partilha espiritual com o Maharaj residente no local, em Salamanga/fundação Minhembeti, momentos esses que incluíram ensinamentos sobre a tradicional fogueira sagrada Havan (ritual que consiste em acender um fogo, recitar mantras e fazer oferendas para purificar o ambiente, invocar bênçãos e trazer positividade). “Acredito que uma das maiores transformações foi percebermos que, independentemente da religião, podemos respeitar diferentes crenças, aprender uns com os outros e celebrar a união”, afirma Ira.
Das actividades constaram ainda sessões de yoga rítmico, com Farida, do centro Forever Health, aula de yoga, com Milu da Graça, representante da Fundação Artedeviver em Moçambique, bem como, guiada por Luciana/Pastel Brasileiro, a cerimónia do cacau, que envolve beber cacau puro, acompanhado por meditação, música ou partilha, para promover a abertura do coração e o relaxamento. A meditação guiada é uma experiência particularmente marcante de meditação sonora realizada numa cave de mármore. Foi conduzida por Ira Fonseca, que é terapeuta do som, e André Bergh, sul-africano, especialista em meditação e cura através do som com mais de 50 anos de experiência, considerado uma das principais referências na área. “O poder do som falou por si, criando uma experiência única e profundamente impactante. Acredito sinceramente que ninguém saiu daquele espaço da mesma forma que entrou”, revela-nos Ira.
Uma comunidade que continua a crescer
Um dos aspectos que mais distingue o Sou Tajiri é o sentimento de pertença criado entre os participantes. Nesta edição, participaram cerca de 63 pessoas, além de membros da Fundação Minhembeti. “O que mais gosto é que Tajiri é mais do que uma marca, é uma família e uma maneira de viver que se foca no bem-estar e no amor incondicional.” Segundo a organizadora, pessoas de diferentes gerações e histórias de vida encontraram naquele espaço algo em comum: a vontade de crescer, partilhar e viver experiências significativas.
Transformação difícil de explicar
Questionada sobre os momentos mais emocionantes da experiência, Ira não hesita: “Para mim, o momento mais emocionante foi ver concretizada a visão que tive em 2023 e sentir que cada pessoa presente chegou com o coração aberto para receber e partilhar amor”. O impacto também se reflectiu no feedback dos participantes. A pergunta mais repetida no final do retiro foi simples e reveladora: “Quando será o próximo evento Sou Tajiri?” Para Ira, essa reacção confirma que algo profundo aconteceu naquele dia: “Sem dúvida. Senti claramente que muitas pessoas saíram transformadas pela experiência. Posso dizer que eu própria saí diferente da forma como cheguei”.
O futuro de Sou Tajiri
A próxima edição já está nos planos e deverá acontecer em 2027. Até lá, a comunidade continuará activa através dos chamados Get Togethers Tajiris, encontros concebidos para manter viva a energia e os princípios que inspiraram o projecto. “Este é o nosso evento anual, a próxima edição está prevista para 2027. Neste momento, sinto que preciso de algum tempo para descansar, reflectir e permitir que surja a próxima visão”. Num tempo em que tantas pessoas procuram respostas fora de si, o Sou Tajiri propõe um caminho diferente: recordar que a maior riqueza pode já estar dentro de cada um de nós.
