Podias compartilhar connosco um pouco do início da tua jornada. Como começaste e, o mais importante, porque decidiste pintar?
Pintei os meus dois primeiros quadros em 2008, para um leilão com os pais de angariação de fundos do meu baile de finalistas. O nosso pintor Samate Mulungo ajudou-me com o material e ensinou-me algumas técnicas básicas. Um dos quadros foi vendido, e o outro está comigo até hoje, não o venderei por nada. Decidi continuar porque naquele dia descobri que gostava mesmo de pintar e desenhar, arte esta que sempre me fascinou, desde pequena.

Como caracterizas o teu trabalho?
O meu trabalho é muito espiritual, feito com muita emoção e carinho, é a exposição de tudo o que sinto, é a fotografia de tudo que vejo. O abstracto é a técnica de que mais gosto, especialmente pelo facto de o apreciador poder interpretar da sua forma e viajar em seus pensamentos.

O que mais te inspira na pintura, de onde surgem as tuas melhores ideias?
As minhas ideias e a minha inspiração vêm da natureza, acho que não podia ser diferente já que ela é o centro de tudo.

Quem consideras serem as tuas grandes referências nesta área de actividade?
Confesso que gosto de alguns pintores, em particular Samate Mulungo, Naguib, Lizzie Ana, Picasso, Miguel Ângelo, mas, no fim do dia, acabo não tendo preferidos, porque todos eles passam sentimentos e técnicas diferentes, todos juntos completam e elevam esta arte.

Existe algum momento emocionante na tua carreira que queiras partilhar connosco?
Eu acho que todos os momentos são emocionantes, desde a produção da minha primeira obra, a primeira venda que efectuei, os convites para exposições, a abertura do meu primeiro atelier, é difícil especificar o que mais me emocionou, pois todos eles foram diferentes e muito importantes.

Na tua opinião, quais são os maiores desafios actualmente no sector?
Dificuldades sempre existem, principalmente num país com tantos problemas acima dos das artes, mas sinto que a nova geração está a lutar muito para reverter esta situação. Existe muita burocracia em torno das artes. Penso que estamos a criar uma independência cultural que está a ficar cada dia mais forte, e espero que esta força continue e que as dificuldades sirvam somente para nos fortificar, não para desanimar.

Para além da pintura, que outras formas de arte te fascinam? Onde podemos acompanhar os teus trabalhos?
Para além desta arte, aprecio muito a escultura, a música, e, em geral, todo o tipo artesanato. Na verdade, acho que sou fascinada por tudo, tenho um carinho especial por cada uma delas. Os meus trabalhos estão expostos na minha galeria (The Art and Scents Hub), e, virtualmente, no meu Instagram @jessejsjane_art e Facebook Jess Jane Arte.

Quais consideras serem os ingredientes essenciais para um futuro próspero no mundo da arte?
Os ingredientes certeiros são, com certeza, a perseverança, nunca desistir, foco, amor pelo que se faz, autoconfiança e energias positivas, sempre. Projectos sempre existem, e a parte boa é quando os concretizamos e os apresentamos ao público com o maior orgulho.