“O desabrochar da minha paixão pela fotografia ocorreu quando descobri a câmara do meu pai. Ele nunca chegou a ser um fotógrafo profissional, contudo, a sua paixão pela arte da fotografia era inegável. Foi através da lente da sua câmara que vislumbrei um novo universo, e desenvolvi um amor profundo pela arte de eternizar momentos singulares e guardar memórias preciosas. A partir desse momento, a fotografia transformou-se numa paixão incontornável, um canal privilegiado de expressão artística, que me permite explorar a minha criatividade, capturar a beleza do mundo ao meu redor e documentar histórias marcantes.

Sinto-me particularmente inspirada por questões sociais e humanitárias, especialmente as que afectam mulheres e crianças. Estou convencida de que a fotografia pode ser uma ferramenta poderosa para narrar histórias e aumentar a conscientização sobre estas questões de relevo. Quando fotografo mulheres e crianças, busco retratar a sua essência, a beleza que reside nas suas vidas, mesmo diante dos desafios que enfrentam. Creio que, por meio da fotografia, podemos contribuir para dar voz a estas pessoas, contando as suas histórias de forma impactante e significativa.

Para mim, a fotografia é uma forma de arte que pode transformar o mundo, e ambiciono continuar a utilizar este meio para fazer a diferença na vida das pessoas. Ricardo Rangel, o renomado fotógrafo moçambicano, é uma grande inspiração para mim. A sua capacidade de capturar a essência da vida em Moçambique e de utilizar a fotografia para influenciar positivamente a vida das pessoas é admirável. A sua visão de usar a fotografia como uma ferramenta de mudança social tem sido uma influência marcante na minha abordagem à arte fotográfica. Aspiro seguir os seus passos, e os dos outros fotógrafos que me inspiram, na criação de narrativas poderosas através das minhas imagens.

Durante uma experiência gratificante em Metuge, Pemba, tive a oportunidade de visitar um centro de deslocados e ouvir histórias de mulheres e crianças que enfrentaram dificuldades extremas. Foi um momento desafiador, mas persisti, movida pela esperança. Como defensora de causas sociais, sinto a responsabilidade de usar a minha voz e as minhas competências para contribuir para um mundo mais justo e igualitário.

É inegável que a fotografia em Moçambique está em crescimento, no entanto, enfrentamos ainda alguns desafios para que seja plenamente valorizada e reconhecida como uma profissão de destaque. Entre estes desafios, destacam-se a falta de oportunidades para aprendizagem e desenvolvimento na área, a carência de equipamentos e recursos adequados e a predominância masculina na profissão. Felizmente, já se observam medidas sendo tomadas para valorizar a fotografia, como a promoção de eventos fotográficos e a oferta de cursos para principiantes. Desejo que estas iniciativas possam potenciar uma maior valorização da fotografia em Moçambique no futuro. Espero também que se expandam para além de Maputo, abrangendo outras províncias do país, de forma que todos os fotógrafos, independentemente da sua localização, tenham acesso a oportunidades e recursos para desenvolver as suas habilidades e impulsionar as suas carreiras.

Na exposição colectiva com o tema "Desigualdade Social", apresentei um projecto fotográfico que sublinhou as injustiças sociais e a marginalização de grupos minoritários. Pretendi sensibilizar o público para a importância de lutarmos por uma sociedade mais justa e igualitária. Acredito piamente que a fotografia tem um papel crucial na sensibilização social e sinto-me orgulhosa de contribuir para esta causa através da minha arte. Participar em exposições colectivas oferece inúmeros benefícios para o crescimento profissional de um fotógrafo, desde a oportunidade de expor o seu trabalho a um público mais vasto e receber feedback, até à possibilidade de interagir com outros profissionais do meio. 
Ainda mais, tal experiência auxilia o fotógrafo a aperfeiçoar a sua identidade artística e a capacidade de contar histórias através das suas imagens. O retorno positivo que recebi do público acerca do meu trabalho mais recente deu-me a certeza de que devo persistir. Juntamente com as obras de outros seis fotógrafos, oferecemos ao público a oportunidade de reflectir sobre como podemos contribuir para um mundo mais justo e inclusivo.

Nos próximos cinco anos, enquanto fotógrafa, pretendo continuar a documentar histórias que tocam e são relevantes. Para tanto, manter-me-ei actualizada com as tendências e mudanças no meu campo de actuação, investirei no aperfeiçoamento das minhas habilidades e procurarei colaborar com outros artistas e organizações sociais. Além de continuar a desenvolver o meu trabalho, pretendo explorar novos horizontes, investindo em competências adicionais, como a produção de documentários e conteúdo audiovisual. Tenciono ainda trabalhar em projectos individuais e colaborativos com outros artistas e organizações sociais. Buscarei oportunidades de exposições e publicações em revistas e jornais de renome, como a Xonguila, com o objectivo de alcançar novos públicos e garantir que o meu trabalho continue a ter um impacto significativo.”