Com vontade de redesenhar o mundo, Ivandro Ribeiro saiu de Moçambique em 2004 e, entre idas e vindas, acabou por se inspirar nas suas origens cabo-verdianas e levar o Índico ao Atlântico, depois de uma passagem pelo Brasil. Trocou então o continente por uma vida insular. 
Ivandro representa o melhor da lusofonia. Moçambicano com origens cabo-verdianas, estudou por 5 anos no Brasil. Hoje, aos 38 anos, concretiza a mistura de todas essas referências, já que, além das múltiplas influências que o caracterizam, instalou-se em 2008 na Praia, capital de Cabo Verde, onde trabalha na empresa Bonako.

Perito em resolver problemas, Ivandro Ribeiro, designer industrial, procura-os, tal como qualquer profissional de inovação, para desenvolver soluções que encaixem em qualquer habitat tecnológico e geografia. “A minha actividade consiste em identificar problemas e buscar soluções, mas acredito que os obstáculos encontrados no mercado são semelhantes em boa parte dos países africanos, como a falta de um governo ou estado comprometido com este sector, altos impostos para adquirir equipamentos de teste, escassez de mão-de-obra qualificada e outras dificuldades. No entanto, acredito que isso faz parte do processo e nos torna ainda mais lutadores”, explica-nos Ivandro.  O seu olhar para sistemas que necessitem de ser melhorados é de tal forma relevante que, ao longo do seu percurso profissional, participou na criação de vários produtos em diversas iniciativas de inovação, como o primeiro Jet ski anfíbio do Brasil ou a primeira empresa de jogos cabo-verdianos, a Bonako, “que se tornou na primeira empresa a produzir aplicativos móveis dedicando-se exclusivamente a esta linha de produtos”.

Além disso, com a Bonako, Ivandro criou o primeiro aplicativo de streaming cabo-verdiano, o Muska, e o primeiro aplicativo de TV mobile, como a primeira plataforma de jogos Mobile focada no mercado africano, o que acabou por levá-lo, a si e à sua equipa, ao conceituado evento de tecnologia Web Summit, por 4 anos. “Actualmente, estou a trabalhar na criação de um mapa global que inclui réplicas digitais de edifícios e pessoas, de forma a serem utilizados em um metaverso que também está em desenvolvimento por nós. Este metaverso terá diversas funcionalidades e aplicações para diferentes propósitos.”, confidencia-nos o designer.

Apesar de se encontrar do outro lado, o do Atlântico, Ivandro Ribeiro mantém o olhar sobre o que se passa deste lado do Índico. “Tenho sempre em mente como posso expandir os meus produtos para Moçambique, graças aos contactos e amigos que ainda aí mantenho. Tenho construído pontes tanto para o desenvolvimento de novos produtos quanto para a comercialização de produtos já desenvolvidos.”

Ivandro Ribeiro, além do seu projecto actual, o Muska, que é uma plataforma com várias ferramentas para ajudar os artistas a ganhar dinheiro com suas obras (música, vídeo, eventos, merchandising, etc.), tem como objectivo concentrar-se no mercado africano, alcançando o moçambicano em 2023. Embora ainda não tenha os métodos de pagamento focados para Moçambique e todos os artistas locais na plataforma, ele mantém o seu foco no mercado africano.

Assim, tal como no seu processo criativo, Ivandro Ribeiro adapta o seu olhar ao ambiente onde se move e procura soluções que encaixem nas necessidades daqueles com quem se cruza. Quando não as encontra, desenha-as.