Gwaza Muthine

A grande celebração da batalha de Marracuene

A batalha de Marracuene foi um combate que ocorreu a 2 de Fevereiro de 1895, nas margens do rio Nkomati, entre forças rongas e a tropa portuguesa, que integrou 37 oficiais e 800 soldados, comandados pelo major Alfredo Augusto Caldas Xavier. Devido à superioridade destes proporcionada pela posse de armas de fogo, as forças locais, que se diz terem chegado a três ou quatro milhares de guerreiros, liderados por Nwamatibyana, Zihlahla, Mahazule e Mulungu e munidos de lanças e flechas, em defesa das suas terras no Império de Gaza, perderam a disputa.

A batalha ficou conhecida por “Gwaza Muthine”, expressão do idioma ronga que se pode traduzir por  “lugar do trespassar com a lança”. Inúmeros guerreiros africanos tombaram no seu próprio território, mas a derrota pouco significado tem para Moçambique em geral, e para os nativos de Marracuene, em particular, que fazem questão de enaltecer o espírito heróico dos seus antepassados. Todos os anos, a batalha é tradicional e oficialmente celebrada em ambiente de festa, pois o que se recorda é a capacidade de organização e o espírito de resistência dos guerreiros, que, de certa forma, serviu de incentivo para a luta pela independência nacional.

Todos os anos a batalha é tradicional e  oficialmente celebrada em ambiente de festa, pois o que se recorda é a capacidade de  organização e o espírito de resistência dos guerreiros que defenderam as suas  terras em Marracuene

Das festividades fazem parte o habitual “kuphahla” (evocação dos espíritos dos antepassados), beber canhu, uma bebida tradicional produzida com um fruto silvestre que abunda na região, danças típicas, entre as quais a dança guerreira Xigubo, e comer carne de hipopótamo, símbolo de fartura e prosperidade, caçado no rio Nkomati. Como a população de hipopótamos tem reduzido bastante, usam-se frequentemente cabritos em sua substituição.  

Nos últimos tempos, a esta celebração, que tem lugar na véspera do Dia dos Heróis Moçambicanos, feriado nacional, tem sido associado o grande “Festival da Marrabenta”, realizado em Maputo e Marracuene.

Este ano os cento e vinte e seis anos da batalha foram celebrados de forma atípica, sem público, em perfeito contraste com a grande multidão que costuma acorrer ao local. Foi, no entanto, garantido o hipopótamo, tendo a carne sido distribuída por alguns regulados.