Com quantas cores se escreve Eliana Murargy? Será possivelmente uma tarefa mais fácil do que desenhar os seus sonhos. Nascida em Bruxelas, mas criada no mundo, a designer de moda moçambicana vive actualmente na capital da Guiné Equatorial, em Malabo, e é de lá que pretende vestir o mundo com as suas linhas.  

Será cliché pensar que todas as designers e consultoras de moda crescem com vontade de vestir as suas bonecas? No caso de Eliana Murargy foi esse o sonho. Começou a desenhar croquis aos 12 anos e desde cedo que teve a sorte de ter uma família que apoiou a concretização dessa vontade, já que se apaixonou, primeiramente, pelas Belas Artes e, depois, por moda. As palavras são da própria, ao elogiar o encorajamento que tanto os pais como os irmãos lhe deram para que seguisse os seus sonhos.  
 


Ter conseguido entrar na New York Fashion Week foi  gratificante, mas quero atingir  muito mais.  Neste momento estou a relançar a marca numa nova direcção, e espero poder partilhá-lo em breve

As construções de Eliana são um reflexo de si mesma: impactante, elegante e incrivelmente minimalista. “A minha fonte de inspiração sempre foi a minha mãe (Frances Rodrigues), o estilo dela e a sua maneira de se vestir”, conta-nos a designer. Foi a soma da simplicidade e da elegância da mãe que acabou por direccionar Murargy: a designer e consultora de moda desenvolve o seu trabalho tendo por base uma palete de cores muito monocromática, enquanto as linhas são muito direitas e com um alinhamento muito sóbrio. Não é à toa que o preto é a sua cor favorita: “Gosto de estar confortável, sem muitas cores. Combino (o estilo) com acessórios”, partilha Murargy.  

Quando questionada sobre aquilo que dá mais gozo em todo o processo criativo, Eliana ressalva o desenho propriamente dito e o momento em que olha para as peças já concretizadas. “Para mim, o melhor é no fim do desfile, quando vês todas as peças juntas e vês que o trabalho está todo lá, tudo junto numa passarela. É como se fosse um momento mágico”, conta.

Na prática, a pesquisa é parte estrutural do trabalho da criativa: “Faço sempre muitas pesquisas sobre as tendências anuais, mas o DNA de Eliana Murargy permanece: simplicidade, elegância, conforto. Só vamos inovando com tecidos diferentes e tentamos sempre escolher matérias orgânicas e sustentáveis”, acrescenta.  

Fiel a si mesma, e depois de ter apresentado o seu trabalho durante a semana de moda de Nova Iorque, pensamos que Eliana pode já ter estado muito perto de alcançar o ponto alto da sua carreira, no entanto, a garra da estilista confirma-nos que não: “Ainda não cheguei lá. Ter conseguido entrar na New York Fashion Week foi gratificante, mas quero atingir muito mais. Neste momento estou a relançar a marca numa nova direcção, e espero poder partilhá-lo em breve”, confidencia.