Um pouco por todo o mundo, sente-se que, sempre que há alguma instabilidade, os meios de comunicação são usados, para o bem e para o mal. Sem contar que, nos dias que correm, e com o acesso facilitado às mais diversas plataformas digitais, consumimos, cada um à sua forma, vários conteúdos que, frequentemente, nem sabemos de onde provêm.
Quantas vezes já abriu uma rede social, como o Instagram ou o Facebook, por exemplo, e, somente por ter visto o que está escrito na imagem do feed, acreditou na informação, sem sequer ler a legenda? Ou, por outro lado, seguiu a sugestão que está na legenda e carregou no link da biografia da página para compreender melhor o conteúdo? A verdade é que, na correria do quotidiano, temos pouco tempo para ler com profundidade toda a informação que consumimos. Nesse sentido, é importante que cada consumidor perceba e consuma conteúdos de fontes credíveis.
A questão é: como é que percebemos se estamos a ser alvo de fake news ou não? Na prática, e como cidadãos comuns, o que podemos fazer é, caso tenhamos dúvidas sobre a veracidade de um conteúdo, não o partilharmos, porque cada partilha é um passo para que a desinformação se espalhe. Em alguns países, o próprio número de encaminhamento de mensagens em aplicativos como o WhatsApp é limitado, exactamente para conter a disseminação de mais fake news.
Acresce que, genericamente, há meios que contribuem para que cada pessoa perceba se está a ser alvo de desinformação ou não: ensinar os cidadãos a distinguir entre informações verdadeiras e falsas, interpretando criticamente as notícias que consomem; incluir a educação mediática no currículo escolar, para ensinar, desde cedo, como identificar fontes confiáveis e verificar factos; utilizar a rádio, a televisão e redes sociais para educar sobre os perigos das fake news e como verificá-las. Por exemplo, dada a quantidade de pessoas que ouvem rádios comunitárias em Moçambique, em línguas locais, seria interessante usar esse canal para corrigir desinformações rapidamente.
Por vezes, é mesmo necessário ir à fonte do problema: porque não trabalhar directamente com os gestores das redes sociais, como a Meta ou a X, de forma a ajudar a identificar e remover conteúdos falsos? Claro que acções como esta são mais complicadas de implementar por cidadãos, mas as agências de publicidade ou mesmo as instituições públicas podem e devem fazê-lo. Além disso, incentivar jornalismo de qualidade, investigativo e ético é sempre uma boa prática, já que acaba por fortalecer a capacidade dos meios de comunicação locais de produzir conteúdo confiável.
