Quem acompanha diariamente a televisão portuguesa está habituado a ver o seu rosto. Carismática e enérgica, Conceição Queiroz é uma das maiores referências do jornalismo em língua portuguesa.  

A caneta (anos mais tarde o teclado do computador) foi sempre sua companheira. Conceição começou por estudar Sociologia, frequentou o curso de Política Social, tirou um Mestrado em História e acabou por se doutorar em Estudos Portugueses, com especialização em Literatura, na Universidade Nova de Lisboa, em Portugal. Além do trabalho na TVI, um canal português de televisão, a jornalista reparte o seu tempo por leccionar jornalismo e, mais recentemente, dar os últimos retoques no seu quinto livro. E quem diria que, no meio desta já grande lista, Queiroz ainda tem umas horas em que escreve para cinema?

Este é um esboço da sua vida aos 46 anos. Nasceu na Ilha de Moçambique, e é por este lugar tão mágico que o seu coração ainda bate. “Saí de Moçambique porque os meus pais tomaram essa decisão. A minha mãe era hipertensa e a medicação ia de Portugal. Um dia, ela e o meu pai decidiram que era preferível mudarmo-nos para cá. Adaptei-me rapidamente, só não me habituo ao Inverno, que continua a ser um desafio”, conta a jornalista, através de correspondência electrónica.  
 


Além de trabalhar no canal português de televisão TVI, Conceição Queiroz reparte o seu tempo por  leccionar jornalismo e terminar o seu quinto livro,  tendo ainda umas horas em que escreve para cinema

Mais do que com saudosismo, Conceição relembra as memórias de uma infância livre, bonita, saudável, à beira-mar. E partilha: “Voltei lá em trabalho há sete anos e foi mágico rever o lugar onde cresci, as pessoas, a nossa casa, a igreja onde íamos à Missa, os largos, os monumentos. Uma emoção. Lembro-me de várias vezes dar a volta à Ilha com o meu pai, num barco a motor, e passarmos os fins-de-semana na praia das Chocas.”

A viver em Lisboa actualmente, Conceição Queiroz conta já com 26 anos de profissão. O jornalismo está-lhe no sangue: entrega, motivação, disponibilidade, saber pesquisar, saber descodificar, preservar fontes, compreender onde está a notícia, estar preparada para qualquer eventualidade. É assim que funciona. “Fui incentivada por uma professora do Liceu a seguir esta profissão. Na Faculdade, tive uma experiência na rádio da Universidade, e senti que a professora que dizia que eu seria jornalista podia ter razão. A entrevista fascinou-me de imediato – ainda hoje é um dos meus géneros favoritos, logo a seguir à grande reportagem. A partir daí fiz um caminho difícil, entre jornais e revistas, até que, quando fiquei desempregada, tentei o jornalismo de televisão e, felizmente, fiquei”, declara Conceição.  

Ser comunicadora implica trabalhar a língua portuguesa a todos os instantes. No jornalismo, em particular, Queiroz assume a importância de estar actualizada e atenta como as principais premissas para realizar bem o seu trabalho. Mas nada como a experiência de anos e anos: “Quanto às vivências que carrego, são sempre úteis. Compreendo melhor muitas das pessoas que entrevisto talvez por já ter tido algumas das mesmas experiências. Ter mundo é uma vantagem quando se é jornalista”.