Carpe Diem, Vanessa Semá, sócia-gerente, na primeira pessoa

A minha mãe, para além do emprego que tem, sempre foi costureira. Em 2015 ela tinha uma encomenda enorme por fazer e, vendo eu como ela estava sobrecarregada, pedi que me deixasse ajudar. Até essa altura, eu nunca tinha usado uma máquina de costura na vida, e não entendia nada de costura. Comecei por cortar e organizar tudo para deixar pronto para ela produzir, até que me atrevi a pegar na máquina. Fui ganhando interesse e comecei a praticar sozinha, usando retalhos e sobras de tecidos que iam ficar desperdiçados. Desde o início, tive sempre uma enorme paixão pela capulana, que, na altura, não era muito utilizada por cá em certos meios. Diria até que as pessoas tinham vergonha de a usar. Em 2016, comecei, devagar, a fazer pequenas peças divertidas e bem coloridas.

Desde pequena que a expressão Carpe Diem tem um valor muito importante na minha maneira de ver a vida. Significa viver o momento, aprendi isso na aula de filosofia na oitava classe: viver e saber aproveitar cada dia como se fosse o último e o mais importante da vida. Quando fui informada de que iria haver uma feira de artesanato, a Mayfair, na Escola Americana de Maputo, em Maio de 2017, decidi expor as pequenas obras, e foi um sucesso de vendas. Tive bastantes pedidos, obtive diversos contactos e comecei a ter os meus primeiros clientes habituais. Agora tenho o meu ateliê e conto com a ajuda de uma maravilhosa equipa. Fazemos peças de artesanato, costura criativa, customização, brindes para empresas, casamentos e acessórios de moda, tudo utilizando sempre como matéria-prima a capulana. Sempre apresentámos os nossos trabalhos no Instagram, e costumamos interagir com os clientes através do WhatsApp; considerámos, desde o início, a melhor forma de marketing a venda online. No entanto, temos também diversos revendedores dos nossos produtos.

“Temos tido várias encomendas, e alguns dos nossos maiores clientes tornam-se revendedores da marca a nível internacional, o que consideramos excelente”

Sempre que participamos em feiras de artesanato publico em simultâneo nas redes sociais para que o público saiba onde estamos naquele preciso momento, e, por incrível que pareça, conseguimos efectuar vendas mais rápidas através dessas publicações. Felizmente, no que toca aos nossos clientes, temos recebido um feedback muito positivo quanto aos produtos feitos por nós, uma vez que são feitos com enorme dedicação e atenção aos detalhes. Temos tido várias encomendas, e alguns dos nossos maiores clientes tornam-se revendedores da marca a nível internacional, o que consideramos excelente.

Por coincidência, um pouco antes da pandemia decidimos fazer uma linha de artigos direccionada para a saúde, kits de máscaras, bolsinhas, toucas cirúrgicas, entre outras coisas. Com o surgimento da covid-19, a procura por máscaras de capulana foi enorme, fizemos centenas de máscaras por semana, o que consideramos ter sido o nosso maior desafio em termos de trabalho na costura. Trabalhava praticamente sozinha, dia e noite sem parar, e cheguei a ensinar outras costureiras de outros ateliers a produzir máscaras. Durante a fase inicial, muitas das máscaras que produzimos foram doadas aos mais necessitados.

Nos dias de hoje, já consigo viver da minha arte. Tenho uma equipa e o meu próprio atelier. Este foi um passo enorme no meu trabalho, pois já temos trabalhado à escala industrial. Porém, o meu sonho seria o de abrir um local que pudesse servir de escola, oficina e fábrica. Gostaria também de continuar a desenvolver a marca a ponto de esta adquirir reconhecimento internacional, como sendo uma referência de qualidade no que toca à arte da costura utilizando a capulana.”