É de aqui tão perto que surgem as cenas de Carla Fonseca Mokgata. De Joanesburgo até Maputo, a artista conta-nos um pouco de si na vizinha África do Sul, num mundo recheado de novas histórias, todos os dias.
Tal como acontece com grande parte dos moçambicanos que rumam até ao país vizinho, Carla foi viver para Joanesburgo, ainda muito jovem, à procura de um ensino diferenciado, tendo mantido sempre uma relação muito próxima com o seu país natal, especialmente pelas referências culturais.
Carla nasceu para criar histórias. Cresceu a olhar para a cultura e a arte como o centro do crescimento de um ser: “A minha família adora música, cinema e arte. Isso sempre fez parte de mim”, revela, numa passagem rápida por Maputo.
A proximidade com a terra natal acaba por manter viva dentro de Carla a vontade de implementar algo seu em Moçambique
Música, teatro ou cinema, uma pergunta dolorosa para quem vive para a arte. “O teatro sempre será o meu primeiro amor (…) Eu tiro a maior parte da minha inspiração de experiências pessoais, da tradição africana e de assuntos globais. O meu foco está no teatro de vanguarda, e na performance”, conta Fonseca. Embora seja um processo instigante, emocional e ousado, a artista adora fazer com que as pessoas parem e pensem naquilo que estão a presenciar. “Parar e abordar o estado do mundo. Às vezes reclamamos, mas estamos ocupados demais para parar e tentar compreender a mudança. Eu quero que meu trabalho mude pessoas, mova pessoas. Altere a maneira como pensam, como se sentem. Se a arte não muda você, então é arte?”, acrescenta a artista.
Questão que se alonga quando abordamos o principal desafio do trabalho: o financiamento. Embora tenha muitos projectos, o suporte financeiro é sempre um factor muito importante na altura de os desenvolver, chegando a ser o seu maior obstáculo. Todavia, é com humor e boa disposição que encara a situação: “Eu gostaria de fazer um filme com amor e ar!”
A proximidade com a terra natal acaba por manter viva dentro de Carla a vontade de implementar algo seu em Moçambique: “Há muitos anos, eu queria fazer shows de teatro... e quero fazer filmes também. E farei, um dia – em breve”, confessa, esperançosa. Enquanto esse momento não chega, é em família, com o marido, que revive as suas rainhas, tão longe e, ao mesmo tempo, tão perto. Moçambique corre-lhe no sangue, na música que ouve, na comida que cozinha, nos livros, a cultura está consigo todos os dias.
