Haverá coisa melhor do que comida de casa? Assim que aterrou no Norte de Itália, em Pádua, Ayanda Duarte temeu pela alegria do seu estômago. Agora, depois de mais de 3 anos a viver na terra das massas, das pizzas e dos gelados, a jovem conta à Xonguila como tem sido a experiência.
Foi com vontade de sair da sua zona de conforto que Ayanda Duarte releu, aos 25 anos, uma mensagem de WhatsApp. No meio de muitos emojis, encontrou uma candidatura a um mestrado em Engenharia Ambiental e percebeu que seria a melhor ferramenta para dar um novo rumo à sua carreira. “A vontade de sair de Moçambique surgiu da necessidade de viver novas experiências e fazer um upgrade a nível profissional. Eu sabia que o meu trabalho seria muito mais valorizado em Moçambique se eu tivesse um mestrado fora de África”, conta-nos, através da mesma rede social.
Se a comida nos traz conforto, foi essa ideia que mais desconfortável deixou Ayanda, pois acreditava que o estilo de vida dos italianos era menos saudável que o moçambicano. Depois de perceber que os seus novos vizinhos não se alimentavam somente a “pasta”, teve que se adaptar às baixas temperaturas. Maputense de origem, a engenheira diz que esta adaptação constante fez parte de um processo de aprendizagem: “Aprendi tanto, e de forma tão profunda! Gostaria de ter a oportunidade de partilhar pelo menos 10% do que aprendi”, revela-nos. O entusiasmo é de tal que a jovem está a considerar abrir uma conta no Youtube para partilhar parte deste seu conhecimento.
Enquanto não concretiza as suas ideias, Ayanda Duarte organiza os projectos que gostaria de implementar em Moçambique: “Gostaria de criar um fundo ou serviços de reestruturação de aterros sanitários. Foi a minha área favorita durante os estudos. Achei bastante interessante e pude ver que o nosso país precisa de uma intervenção séria no sector de gestão de resíduos. Vivemos numa calamidade ambiental "silenciosa"’, comenta.
Com um misto de serenidade e coragem, a jovem vai aproveitando para apreciar os encantos arquitectónicos romanos, mas sempre com foco na sua cultura: “Não vivo sem xima e um bom caril de galinha. Faço sempre compras básicas nos mercados africanos. A nível cultural, transmito sempre como vivemos a toda a gente que conheço. Procuro partilhar sempre um pouco de Moçambique e mostrar como somos um povo supereducado”, escreve a engenheira, de forma divertida, adivinhamos nós. Se em Roma, sê romano, fora de Moçambique, sê moçambicano.
