Não fosse a curiosidade uma característica intrínseca a aventureiros e André Tenreiro não teria começado a explorar enciclopédias desde criança. Hoje, aos 39 anos, o engenheiro informático conta-nos como é que tem sido explorar geografias, desta vez a partir de Singapura. 
Cabo Verde, Portugal, República Checa e, agora, Singapura. Três dos cinco continentes já fazem parte do passaporte do moçambicano, contabilizando 15 anos a viver fora do seu país natal. Tal como para o resto do mundo, 2020 foi um ano decisivo, e durante a crise pandémica rumou ao país insular.

Tenreiro trabalha em cibersegurança e, depois de explorar várias opções, ele e a esposa decidiram que Singapura seria a opção certa para se estabelecer e explorar novas oportunidades. O posicionamento pioneiro do país na área das tecnologias da informação foi crucial para que o casal se fixasse lá: “Há outras coisas que admiro em Singapura, como a diversidade cultural no país. Historicamente, há séculos que Singapura é um entreposto comercial e local onde várias culturas do ocidente e oriente se unem. Até hoje essa fusão de culturas permanece”, acrescenta o engenheiro.

A verdade é que conhecer o país antes de emigrar é meio caminho andado para que a adaptação corra melhor. André conhecia bem o alto índice de desenvolvimento humano, com infra-estruturas de topo, baixa criminalidade e bastante limpo. “Depois de conhecer Singapura, fiquei fascinado e entendi a razão por detrás dessa reputação. Singapura é um país ambicioso e os singapurenses têm grande orgulho no progresso extraordinário que o seu país fez desde que se tornou independente, em 1965”, conta-nos, através de entrevista electrónica.

O dinamismo da área leva a que a procura por conhecimento seja uma constante. Estar na vanguarda da tecnologia é uma premissa base para cada um conseguir realizar o seu trabalho da melhor forma possível. Através de publicações online, conferências, fóruns de especialidade e da própria comunidade (já de si, bastante entusiasta).

Todavia, o desafio é real: “Nesta área da Cibersegurança, o maior desafio é conseguir estar à frente dos hackers. Há analistas que consideram o cibercrime como o “problema da década", pelo impacto que traz à economia, à estabilidade dos países e à privacidade dos seus cidadãos.

É um pouco o jogo do gato e do rato, onde os cibercriminosos estão constantemente a desenvolver de forma criativa novas técnicas cada vez mais sofisticadas e nós estamos do outro lado a construir defesas e a defender o nosso “castelo”. O problema da cibersegurança não é apenas um problema tecnológico, é um problema que envolve pessoas para que estejam preparadas a identificar situações de risco e maior robustez de processos, de forma a proteger as organizações. Todos nós, dentro de uma organização, temos um papel a cumprir no que toca a cibersegurança’, explica, André.

O caminho faz-se caminhando, e André Tenreiro sente que continua a contribuir em projectos e em iniciativas relacionadas com as tecnologias de informação. Enquanto o bilhete só de ida para aterrar no Aeroporto Internacional de Maputo ainda não está comprado, o engenheiro vai-se entretendo: tem na sua agenda criar um podcast sobre Cibersegurança com um amigo. Essa partilha e o lado mais social estarão sempre presentes: “Acho que a componente de socialização é muito predominante na maneira de ser e estar dos moçambicanos. É uma das características que faz o nosso povo ser um povo alegre e acolhedor”, partilha, adivinhamos nós, alegremente, atrás de um computador.