Criada por três mulheres com percursos distintos e uma visão comum, a ALTIVA quer transformar a forma como os moçambicanos aprendem, se relacionam e constroem o seu futuro. Mais do que uma plataforma de formação e consultoria, é uma iniciativa que acredita no poder das conexões para transformar potencial em resultados concretos.
Uma boa ideia nem sempre é suficiente para construir um negócio. O talento, a determinação e o conhecimento são fundamentais, mas muitas oportunidades acabam por se perder por falta de orientação, contactos ou acesso às pessoas certas. Foi precisamente dessa percepção que nasceu a ALTIVA, uma iniciativa moçambicana que procura aproximar pessoas, conhecimento e oportunidades de crescimento. Por detrás do projecto estão três mulheres com experiências profissionais e pessoais diferentes, mas unidas pela convicção de que ninguém precisa de percorrer sozinho o caminho para o sucesso. Rosa Sofia Macondzo Massuco, funcionária pública, formada em Contabilidade e Auditoria, encontrou na sua própria experiência a motivação para se tornar coach financeira. Depois de mais de uma década de trabalho, percebeu a importância de compreender melhor as finanças pessoais e construir património, conhecimentos que hoje procura partilhar com outras pessoas. Celma Neto traz uma perspectiva internacional. Nascida em Angola, criada em Portugal e actualmente a viver na Escócia, construiu uma carreira na área da saúde, com especialização em Nutrição Oncológica e mestrado em Radioterapia com Técnicas Avançadas. A sua ligação a Moçambique ganhou força através de projectos na área da oncologia, incluindo uma experiência no Hospital Central de Maputo. É também empreendedora e investidora imobiliária, com iniciativas em Portugal e no Reino Unido. Melina Mangoele, empreendedora moçambicana e licenciada em Gestão de Empresas, possui experiência em gestão comercial, administração, desenvolvimento de negócios e gestão de projectos. O seu percurso tem sido marcado pelo interesse em aproximar pessoas, desenvolver talentos e transformar ideias em iniciativas com impacto. Juntas, decidiram criar uma plataforma onde as suas competências se complementam e onde o crescimento individual pode contribuir para o desenvolvimento colectivo.
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Mais do que aprender, saber aplicar
O nome ALTIVA traduz a filosofia que orienta a organização: ambição, confiança e vontade de alcançar novos patamares. “Acreditamos que existe sempre um próximo nível a alcançar e que ninguém chega ao seu ponto mais alto sozinho: a educação e as conexões certas fazem parte do caminho”, explicam as fundadoras. Num mercado onde existem diversas propostas de consultoria e formação, a ALTIVA pretende distinguir-se pela aplicação prática do conhecimento. A intenção não é apenas transmitir informação, mas proporcionar ferramentas, orientação e contactos que ajudem os participantes a concretizar objectivos. É com essa perspectiva que desenvolve iniciativas como os ALTIVA Talks e os ateliers, encontros concebidos a partir das necessidades da comunidade, com convidados que partilham experiências reais, desafios e aprendizagens. A organização acredita que o contacto entre pessoas de diferentes áreas pode ser tão importante como o próprio conteúdo de uma formação. “Uma conversa pode ser um divisor de águas. Pode trazer uma nova perspectiva, abrir uma porta ou aproximar alguém de um parceiro estratégico.”

O poder de estar à mesa certa
Uma das apostas da ALTIVA é o conceito The Right Table – A Mesa Certa, que procura criar espaços de encontro entre pessoas com diferentes experiências, competências e oportunidades. A ideia parte de uma realidade conhecida por muitos empreendedores moçambicanos: nem sempre é fácil encontrar parceiros de confiança, orientação adequada ou redes de apoio que permitam transformar uma iniciativa promissora num negócio sustentável. Para as fundadoras, a colaboração pode ajudar a ultrapassar algumas dessas dificuldades e contribuir para uma economia mais dinâmica, onde os negócios crescem também através das relações que estabelecem. A ALTIVA pretende, assim, aproximar pessoas que habitualmente não partilham os mesmos círculos profissionais, alargando o acesso ao conhecimento e às oportunidades. Mas crescer implica também aceitar que nem todas as tentativas terão o resultado esperado. “Vemos o fracasso como um resultado, não como uma identidade ou uma sentença sobre o futuro”, defendem. Na sua perspectiva, errar faz parte do processo de aprendizagem. O essencial é compreender o que não funcionou, ajustar a estratégia e encontrar novas formas de avançar.

Preparar uma geração para ir mais longe
A preocupação com o futuro dos jovens moçambicanos ocupa um lugar importante na visão da ALTIVA. As fundadoras consideram que, para além das competências técnicas, é necessário desenvolver uma mentalidade de iniciativa, responsabilidade, confiança e capacidade de adaptação. Acreditam também no valor da mentoria e gostariam de ver profissionais experientes partilhar com os mais jovens não apenas as suas conquistas, mas igualmente os erros e as dificuldades que enfrentaram. Esta filosofia reflecte-se na forma como pretendem avaliar o impacto da organização. Mais do que contar participantes ou medir resultados financeiros, querem acompanhar as mudanças concretas que ajudam a gerar, desde decisões importantes a novas parcerias, negócios e oportunidades profissionais.
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Uma comunidade de dez mil possibilidades
Olhando para a próxima década, a ALTIVA estabeleceu uma ambição clara: construir uma comunidade com mais de 10 mil membros activos, ligados por um ecossistema de aprendizagem, colaboração e acesso a oportunidades. Mas o verdadeiro objectivo não está apenas na dimensão dessa comunidade. Está na capacidade de criar relações duradouras e contribuir para que mais moçambicanos consigam transformar as suas competências em realizações pessoais e profissionais. Num país onde existe talento e vontade de empreender, mas onde o acesso a oportunidades continua a ser desigual, a ALTIVA quer ajudar a encurtar a distância entre aquilo que as pessoas são capazes de fazer e aquilo que efectivamente conseguem alcançar. Porque, como acreditam as suas fundadoras, o próximo grande passo de alguém pode começar com uma aprendizagem, uma conversa ou simplesmente com a oportunidade de se sentar à mesa certa.
