O peso da mulher no mercado de trabalho tem vindo a crescer em Moçambique, impulsionado por diversos factores, tais como evolução de dinâmicas sociais, avanços na educação ou aumento de políticas inclusivas. No entanto, ainda persistem desafios significativos para uma maior equidade.
No presente artigo abordaremos esta temática analisando alguns prismas, nomeadamente as indústrias, o nível de experiência e as qualificações, e os seus impactos. O horizonte temporal de análise é de cinco anos (2020-2024), para um universo de profissionais cadastrados na plataforma emprego.co.mz.
Distribuição por Indústria
Analisando um universo de 40 categorias de profissões, constatou-se que as áreas tradicionalmente dominadas por homens continuam a ter uma maior preponderância, reflectindo barreiras culturais e estruturais que limitam o acesso e progressão das mulheres. As categorias de Engenharia e Construção (7.657 cadastrados) e Tecnologias de Informação e Comunicação (7.156 cadastrados) têm um peso de 9% e 8%, respectivamente, no universo masculino, contrastando com o peso de 3% verificado nas mulheres cadastradas (1.250 e 1.177, respectivamente).
Experiência Profissional
A análise dos perfis de mulheres cadastradas na plataforma mostra uma maior concentração de profissionais em início de carreira, reflectindo uma tendência de crescimento da presença feminina no mercado. Analisando o peso do universo feminino em cada fase da carreira, se na fase Júnior (até 2 anos) o peso das mulheres é de 29% (10.872 cadastradas), ele reduz acentuadamente na fase Intermédia (2 a 5 anos), para 23% (10.737 cadastradas), acentuando-se ainda mais a tendência decrescente na fase Sénior (período superior a 5 anos), que atinge os 20% (4.869 cadastradas).
Nível de Educação
A taxa de inscrição feminina no ensino superior tem vindo a crescer em Moçambique, e os dados do emprego.co.mz mostram que a maioria das mulheres cadastradas a vagas formais possuem pelo menos o ensino médio ou superior. O ensino superior apresentou, no período em análise, 30.713 cadastradas (60%), superando largamente o ensino médio, com 13.025 cadastradas (25%).
Desafios e Oportunidades
Apesar do acentuar do peso da mulher no sector laboral, é importante referir que, à medida que o nível de experiência aumenta, observa-se uma redução na proporção de mulheres em cargos de liderança e gestão, tornando patentes os desafios relacionados com a desigualdade salarial, acesso a cargos de liderança e segregação por indústria, que ainda persistem. O "glass ceiling", barreiras invisíveis que dificultam a ascensão profissional das mulheres, ainda constitui um obstáculo muito presente.
De salientar que a área de Gestão e Acessoria detém o maior peso (8,52%) no historial das publicações de vagas efectuadas na plataforma.
A implementação de estratégias voltadas para o incentivo à formação especializada em áreas onde a mulher tem pouca relevância quantitativa, programas de mentorias e políticas de equidade são fundamentais para promover um ambiente de trabalho mais inclusivo e equilibrado. Em suma, uma combinação entre medidas que tenham impacto social, cultural e de qualificação.
Os dados apresentados são reflexo de informações extraídas da plataforma emprego.co.mz e representam uma parte do mercado formal moçambicano. A evolução da presença feminina no mercado de trabalho depende do contínuo esforço na promoção da igualdade de oportunidades, criando condições para que mais mulheres possam ingressar, permanecer e crescer em todas as áreas da economia moçambicana.
