Nascida da vontade de alargar a oferta disponível em Moçambique, a Entheos aposta em vinhos de diferentes origens, escolhidos pela sua identidade, qualidade e relação com o mercado. Mais do que importar garrafas, procura aproximar o vinho das pessoas, criar experiências à mesa e contribuir para uma cultura de consumo mais simples, informada e sem formalismos.
Um brinde à descoberta
Há uma regra simples na Entheos: nenhum vinho entra no portefólio se quem o escolhe não tiver prazer em bebê-lo. Pode ter um rótulo bonito, uma história interessante e um preço competitivo, mas primeiro precisa de convencer no copo.
A empresa nasceu em 2022, pela mão de três empreendedores moçambicanos apaixonados pelo vinho, que identificaram espaço para trazer maior diversidade a um mercado historicamente ligado aos vinhos portugueses e sul-africanos.
Moçambique reúne consumidores de diferentes origens, hábitos e preferências. Foi nessa diversidade que a Entheos encontrou uma oportunidade para apresentar vinhos de outras geografias, procurando personalidade, boa apresentação e uma relação qualidade-preço ajustada à realidade do país.
Tudo começa na terra
Entheos é uma palavra de origem grega associada à inspiração divina. Para a empresa, essa inspiração começa na terra. É do solo, combinado com o clima, o tempo e o trabalho humano, que a videira retira aquilo que acabará por definir o carácter da uva. Daí nasce também uma ideia de responsabilidade: cuidar e preservar a terra que torna o vinho possível.
A primeira aposta foi o Mucho Más Tinto. Antes de avançarem com a importação, os fundadores fizeram uma prova informal entre amigos. A aceitação foi total. O vinho reunia sabor, boa relação qualidade-preço, uma imagem forte e ainda a novidade de ser espanhol, numa altura em que Espanha tinha pouca expressão no mercado moçambicano.
Hoje, o Mucho Más é uma das referências do seu segmento no país.
Vinhos com identidade
Para integrar o portefólio da Entheos, um vinho precisa de ter um perfil reconhecível, ser equilibrado e consistente e trazer alguma surpresa. Não tem necessariamente de ser caro, mas precisa de justificar o preço.
A selecção considera também a origem, a história do produtor, a apresentação e a capacidade de fornecimento. E existe uma política que resume bem a filosofia da casa: não comercializar vinhos de que os próprios responsáveis não gostem.
Mas a palavra final pertence, em grande medida, ao consumidor. As provas, as conversas na Vinoteca e o contacto com restaurantes, hotéis, supermercados e outros parceiros ajudam a perceber o que funciona e a orientar novas escolhas.
Actualmente, uma parte importante do portefólio vem de Itália, incluindo Primitivos e Negroamaros da Puglia, Amarone e Ripasso de Verona, entre outras regiões. Há também vinhos de Espanha, França, Chile e Portugal e, em menor quantidade, da África do Sul.
O mercado tem respondido com curiosidade. Os vinhos espanhóis e italianos foram rapidamente acolhidos, sobretudo os Primitivos, Negroamaros e os produzidos pelo método appassimento. Cresce igualmente o interesse por brancos aromáticos e tintos frutados, equilibrados e de taninos macios.
Vinho sem complicações
Uma das ideias que a Entheos procura contrariar é a de que um vinho precisa de ser caro para ser bom ou que é necessário ser especialista para o apreciar.
Um bom vinho, defendem, é aquele de que a pessoa gosta, que cabe no seu orçamento e que se adequa à ocasião. O conhecimento deve facilitar a escolha, não intimidar.
É também esse o espírito da Vinoteca, criada inicialmente para apresentar as marcas e realizar provas, mas que acabou por se tornar num espaço de convívio, aprendizagem e contacto directo com o consumidor.
De quinta-feira a sábado realizam-se provas num ambiente descontraído, onde cada pessoa é incentivada a descobrir as suas próprias preferências. A Vinoteca complementa assim a actividade da Entheos, que se dedica à importação e distribuição para restaurantes, hotéis, supermercados e outros pontos de venda.
Da vinha até Maputo
Entre descobrir um vinho noutro país e colocá-lo numa mesa em Maputo podem passar cinco ou seis meses. Depois da escolha do produtor seguem-se negociações, documentação, rotulagem e selagem, acondicionamento e transporte. As soluções logísticas variam conforme o país de origem.
À chegada a Moçambique, há ainda o desembaraço aduaneiro, armazenamento e distribuição.
No final dessa longa viagem, o vinho encontra a mesa moçambicana.
E é aí que surgem combinações menos óbvias. Para uma feijoada com todos, a Entheos sugere o Ronco di Sassi Negroamaro Appassimento, um tinto intenso e de taninos macios, capaz de acompanhar a gordura, o sal e os sabores fumados do prato.
Com caril de amendoim e frango, propõe o Domaine Saint-Paul Grenache-Syrah, cuja fruta madura e notas apimentadas encontram equilíbrio na cremosidade e nas especiarias do caril.
Para a matapa, a escolha é o Peter & the Wolf Branco, produzido com Fernão Pires e Moscatel. A frescura e os aromas florais e cítricos equilibram o amendoim e o coco e acompanham particularmente bem o prato quando inclui camarão.
Uma cultura mais próxima
Mais do que aumentar o número de garrafas disponíveis, a Entheos quer contribuir para uma cultura do vinho mais próxima e confiante em Moçambique.
Nascida pelas mãos de moçambicanos, a empresa assume-se como um projecto criado para todos os que fazem do país a sua casa. E quer continuar a crescer ouvindo quem está do outro lado do copo.
Se conseguir deixar mais escolha, conhecimento, conversas e amizades em torno do vinho, terá alcançado a marca que pretende deixar.
