O meu primeiro contacto com as artes foi em 2012, quando comecei a explorar o computador do meu irmão mais velho, e desenhei pela primeira vez utilizando o programa Paint Brush. Em 2018, sem ainda ter formação profissional e com apenas o meu computador e rato como ferramenta, decidi iniciar a minha carreira artística. Em 2021 apresentei o meu trabalho ao público, numa exposição individual intitulada “Garden Exhibition”, na casa do meu curador. Já em 2022, tive a minha primeira exposição, suportada por um centro cultural, o 16 NETO, denominada “Powerful Africa Beauty”, e, desde então, tenho participado em diversos eventos culturais. Participei recentemente num evento chamado “Transmissor Maputo”, uma exposição colectiva onde estiveram presentes vários artistas de áreas diferentes.

Os meus trabalhos podem ser definidos como arte digital e plástica contemporânea. Uso uma metodologia simples em que o processo de criação parte do desenho do retrato da figura humana, feita num papel, a lápis, faço um scan ou tiro uma fotografia, passo para o computador e, aí, produzo toda uma recriação e reinvenção do desenho, à minha maneira. Uma técnica que mistura tecnologia e desenho tradicional. O tipo de obras que executo representa a figura humana entre as linhas da negritude, procuro valorizar a minha cultura difundindo para o mundo o retrato africano; abordo também temas relacionados com a sociedade e empoderamento da mulher africana. Nas pinturas e nas esculturas, a presença da figura humana identifica a preocupação com os valores étnicos, morais e religiosos, procuro representar a identidade africana realística. Inspiro-me bastante no artista Jean-Michel Basquiat, que, numa das suas entrevistas, disse: “As pessoas negras não se retratam realisticamente”. Parto do princípio de que, quando criamos algo, é parte do nosso fruto da imaginação e, logo, parte da nossa essência, portanto sinto que em cada obra está uma parte de mim. Comecei recentemente também a criar em tela com tinta acrílica, e neste momento encontro-me a desenvolver diversas peças que farão parte de uma colecção que será brevemente anunciada.

Considero que a importância do artista para a sociedade vai muito além do simples entretenimento, o seu papel é fundamental para o desenvolvimento intelectual, formação de opinião, inclusão social, educação, e por último, é a forma mais incrível de fazer com que as pessoas vejam o mundo num panorama mais amplo. Acredito que a cultura e as artes em Moçambique estão em constante evolução, na sua criação e descoberta de novos artistas que abraçam métodos e técnicas diferenciados. É notório os fazedores de arte da velha guarda e da nova geração procurarem constantemente inovar, fazendo com que se apresentem novas perspectivas artísticas no nosso país.

Pretendo, para um futuro próximo, estar envolvido em projectos inclusivos e realizar mais exposições a nível nacional e internacional. Os meus planos passam por me tornar num artista mais dinâmico e versátil, adoptando mudanças no processo criativo individual que possam incluir a implementação de outras formas de expressão e utilização de materiais inovadores.