Segundo a prestigiada revista Nature, a virologista croata Beata Halassy, da Universidade de Zagreb, desafiou os limites da ciência e da ética ao aplicar em si própria um tratamento experimental de viroterapia oncolítica. De acordo com a publicação, Halassy encontra-se há 45 meses livre de cancro, um feito alcançado através da coragem de se tornar cobaia da sua própria investigação científica.

A Viroterapia Oncolítica

A viroterapia oncolítica é uma abordagem inovadora que utiliza vírus modificados para destruir células tumorais e activar o sistema imunitário. Perante um diagnóstico de cancro da mama em estádio III em 2020, Halassy optou por esta técnica como alternativa à quimioterapia, que anteriormente lhe provocara severos efeitos secundários.

Dois vírus foram utilizados no tratamento experimental:

  • Vírus do sarampo, conhecido por infectar células tumorais;

  • Vírus da estomatite vesicular, frequentemente investigado pelas suas propriedades oncolíticas.

O Processo

Com supervisão médica, os vírus foram injectados directamente no tumor, promovendo uma redução significativa do tecido afectado. Após meses de tratamento e resposta imunitária evidente no local do tumor, Halassy submeteu-se a uma cirurgia para remoção completa do tecido doente.

Como medida complementar, concluiu um ano de tratamento com trastuzumabe, um medicamento direccionado para o tipo de cancro que enfrentava. Até ao momento, mantém-se livre de sinais de recidiva.

Impacto e Controvérsia

O caso Halassy gerou debate ético na comunidade científica, questionando os limites da auto-experimentação e o equilíbrio entre riscos pessoais e avanços para a ciência. Para Halassy, esta foi uma decisão de último recurso e um acto de autodescoberta.

Além do impacto pessoal, este caso trouxe um novo fôlego à investigação sobre viroterapia, destacando o seu potencial no tratamento do cancro. Halassy prossegue os seus estudos com modelos animais, contribuindo para o desenvolvimento de terapias mais seguras e eficazes.

A sua história inspira não só a ciência, mas também pacientes e investigadores que procuram alternativas em situações de risco extremo.