Uma investigação às Smart TV da LG levantou um cenário inquietante: determinados televisores da marca sul-coreana poderão continuar a captar áudio mesmo quando o ecrã está desligado, ao mesmo tempo que identificam telemóveis, redes Wi-Fi e outros dispositivos existentes nas proximidades.
Os resultados foram divulgados pelo canal Gamers Nexus, no YouTube, depois de uma análise às Smart TV OLED da LG realizada em colaboração com a Level1Techs e analistas independentes, segundo noticiou, na terça-feira, 7 de Setembro, a agência Europa Press.
Para perceber o que acontecia no interior dos aparelhos, os investigadores recorreram a diferentes métodos de intercepção e análise de redes. Entre as ferramentas utilizadas esteve o Wireshark, um conhecido analisador de protocolos de rede, além da desmontagem e análise de código.
Foi então que o tráfego de rede dos televisores revelou uma actividade mais extensa do que seria imediatamente perceptível ao utilizador. Segundo a investigação, os aparelhos analisados digitalizavam a rede local à procura de dispositivos não relacionados, incluindo smartphones, e recolhiam dados como endereços IP, SSID, intensidade do sinal das redes Wi-Fi vizinhas e informação de localização geográfica.
A descoberta mais sensível surgiu quando os investigadores desligaram o ecrã e retiraram a televisão da rede doméstica. De acordo com a análise, o aparelho continuava a gravar o áudio da voz existente no ambiente, armazenando os ficheiros na memória flash interna.
Quando a ligação à rede era posteriormente restabelecida, esses ficheiros eram enviados para servidores da empresa, segundo os investigadores.
A análise identificou igualmente o que descreve como falhas críticas de segurança no webOS, o sistema operativo utilizado nos televisores LG. As vulnerabilidades permitiriam obter privilégios de administrador, ou root, possibilitando o acesso remoto ao sistema. Nestas circunstâncias, sustentam os investigadores, a televisão poderia ser transformada num dispositivo de escuta clandestino, capaz de transmitir em directo o áudio do espaço onde se encontra.
A capacidade de captação não estaria limitada aos microfones incorporados no televisor ou no comando. A investigação concluiu que seria igualmente possível extrair áudio proveniente de periféricos externos ligados ao aparelho, incluindo webcams conectadas através de USB.
Recolha chega à publicidade
A investigação alerta que estas capacidades representam um risco particularmente relevante para ambientes profissionais e empresariais, onde televisores de grande dimensão são frequentemente instalados em salas de reuniões, escritórios e outros espaços de trabalho.
Há, contudo, outra dimensão na recolha de informação.
As Smart TV analisadas utilizam a tecnologia de Reconhecimento Automático de Conteúdo, conhecida pela sigla ACR. Embora esta tecnologia não seja nova, o sistema capta segmentos de seis segundos do conteúdo que os utilizadores estão a visualizar no ecrã, tanto vídeo como áudio, criando uma espécie de impressão digital do conteúdo reproduzido.
Esses dados são depois transmitidos à LG e seguem directamente para a LG Ad Solutions, a plataforma de publicidade da empresa, de acordo com a investigação.
A dimensão potencial desta recolha torna-se particularmente expressiva quando confrontada com a presença global da marca. Segundo os investigadores, embora a LG tenha vendido aproximadamente 216 milhões de Smart TV em todo o mundo, a recolha de dados associada aos seus sistemas abrangerá cerca de 363 milhões de dispositivos apenas nos Estados Unidos.
