O número impõe-se pela dimensão e pelo significado: cerca de 2,9 milhões de raparigas, com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, foram vacinadas contra o cancro do colo do útero ao longo de 2025, num esforço nacional que pretende travar uma das doenças mais silenciosas e letais entre as mulheres.

O anúncio foi feito esta segunda-feira pelo ministro da Saúde, Ussene Isse, durante o lançamento da Semana Africana de Vacinação, um momento que serviu não apenas para apresentar resultados, mas também para expor as fragilidades que ainda condicionam o alcance total das campanhas. Entre elas, destacou-se a dificuldade de acesso às zonas mais remotas do país, onde a logística continua a ser um obstáculo persistente.

A introdução da vacina contra o papiloma vírus humano, iniciada no ano passado, representa um dos pilares desta estratégia preventiva. Trata-se de uma resposta directa à elevada incidência do cancro do colo do útero, uma doença que continua a figurar entre as principais preocupações de saúde pública. Ao apostar na imunização precoce, o sector da Saúde procura inverter uma tendência histórica e reduzir drasticamente os casos futuros.

Mas os números da vacinação não se ficam por aqui. No mesmo período, cerca de 3,5 milhões de pessoas foram imunizadas no âmbito da resposta à cólera, numa tentativa de conter surtos recorrentes que ameaçam comunidades inteiras. Paralelamente, 1,2 milhões de crianças, dos zero aos dois anos de idade, receberam vacinas essenciais, num esforço contínuo para reduzir a mortalidade infantil e reforçar a protecção nas fases mais vulneráveis da vida.

Apesar destes avanços, o ministro reconheceu que o cumprimento das metas estabelecidas continua condicionado por vários factores. A dispersão geográfica das populações, as limitações infra-estruturais e os desafios na conservação e distribuição de vacinas são alguns dos entraves identificados, exigindo soluções estruturais e investimento contínuo.

Num gesto simbólico, mas também estratégico, Ussene Isse procedeu à entrega de equipamentos para a conservação de vacinas na província de Maputo, reforçando a capacidade de armazenamento e garantindo melhores condições para a manutenção da cadeia de frio — um elemento crítico para a eficácia das campanhas de imunização.

O evento ficou ainda marcado por um novo anúncio: a introdução da vacina contra a Hepatite B no calendário nacional. A medida surge como mais um passo na expansão do programa de vacinação, alargando a protecção da população contra doenças infecciosas com impacto significativo na saúde pública.

Entre avanços e desafios, o retrato traçado pelas autoridades revela um sistema em movimento — determinado em ampliar a cobertura vacinal, mas ainda confrontado com realidades que exigem respostas rápidas, eficazes e sustentadas.