A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) deu, esta Segunda-feira, um passo estratégico rumo ao reforço da capacidade tecnológica do ensino superior moçambicano, com a inauguração de um novo Centro de Dados concebido para apoiar a transformação digital do País. Na cerimónia, realizada no Campus Principal da instituição, o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, defendeu que as universidades devem assumir um papel central na produção de conhecimento, na inovação e na formação de competências capazes de responder aos desafios da economia digital.

O governante considerou que a nova infra-estrutura materializa a estratégia do Executivo para modernizar os serviços públicos e acelerar a digitalização nacional, salientando que o progresso tecnológico depende directamente da capacidade das instituições de ensino superior em formar os profissionais que irão liderar este processo. "Não é possível fazer uma transformação digital sem conhecimento, nem sem inovação", afirmou.

Durante a intervenção, Muchanga lançou igualmente um desafio às universidades moçambicanas para que assumam a gestão da Rede Moçambicana de Ensino e Investigação (MoRENet), actualmente coordenada pelo Ministério das Comunicações e Transformação Digital. Na sua visão, a administração da rede deverá passar para as próprias instituições académicas e de investigação, seguindo modelos já adoptados em diversos países.

O ministro explicou que a MoRENet dispõe actualmente de uma largura de banda de 60 Gbps, garantida por um financiamento com duração de 15 anos. Contudo, alertou para a necessidade de as universidades começarem desde já a preparar mecanismos que assegurem a sustentabilidade financeira da plataforma, de forma a garantir a sua continuidade e futura expansão.

"Quinze anos passam rapidamente. É preciso criar condições para que, terminado este período, as universidades tenham capacidade de assegurar novas ligações e responder às exigências tecnológicas que, certamente, serão muito maiores", advertiu.

Américo Muchanga sublinhou ainda que a transformação digital exige investimentos permanentes em áreas estratégicas como a cibersegurança e a inteligência artificial, defendendo uma cooperação estreita entre o Governo, a academia e o sector privado para garantir que estas tecnologias sejam colocadas ao serviço do desenvolvimento económico e social de Moçambique.

Na mesma ocasião, destacou que a inteligência artificial encerra simultaneamente oportunidades e desafios, cabendo às universidades desenvolver investigação e conhecimento que permitam potenciar os seus benefícios e mitigar os riscos associados à sua utilização.

"O nosso desafio não é travar a inteligência artificial, mas assegurar que ela esteja ao serviço da nossa economia, da melhoria dos serviços públicos e do desenvolvimento nacional", afirmou.

Outro dos aspectos realçados pelo ministro foi a componente sustentável da nova infra-estrutura. O Centro de Dados integra um sistema de alimentação baseado em energia solar, reduzindo a dependência exclusiva da rede eléctrica convencional e reforçando o compromisso com a sustentabilidade ambiental.

Na sua perspectiva, este modelo poderá servir de referência para futuros centros de dados a instalar no País, sobretudo numa altura em que o processamento de aplicações de inteligência artificial exige elevados níveis de consumo energético.

Além de reforçar a resiliência tecnológica da Universidade Eduardo Mondlane, Muchanga defendeu que o Centro de Dados deverá evoluir para uma infra-estrutura de interesse nacional, capaz de acolher, futuramente, serviços de outras universidades, instituições públicas e plataformas estratégicas ligadas ao sector da educação.

Entre as possibilidades apontadas está o alojamento de conteúdos digitais destinados ao ensino primário, secundário e pré-universitário, aproveitando a capacidade instalada para servir um universo cada vez mais amplo de utilizadores.

Na cerimónia, o reitor da Universidade Eduardo Mondlane afirmou que o novo Centro de Dados integra um conjunto de investimentos destinados a fortalecer as capacidades científicas e tecnológicas da instituição. Entre essas iniciativas destacou a recente inauguração do Laboratório de Robótica e Automação e a abertura, ainda durante este mês, de uma Sala de Inteligência Artificial e Robótica.

Segundo o responsável, a nova infra-estrutura, aliada às directrizes que a universidade está a preparar para promover uma utilização responsável da inteligência artificial, permitirá consolidar um ecossistema tecnológico orientado para o reforço do ensino, da investigação científica, da inovação e da prestação de serviços digitais.

Acrescentou que o Centro de Dados aumentará significativamente a capacidade de alojamento dos sistemas da UEM, reforçará os mecanismos de cibersegurança e criará melhores condições para o desenvolvimento de projectos nas áreas da ciência de dados, inteligência artificial e computação avançada, agradecendo ao Governo, através do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, pelo apoio prestado à concretização do projecto.