Todas Elas
Eu sou aquela que ninguém chama
pelo nome,
Com pronomes impróprios sempre
a mim se referem.
Sofro em silêncio, pois a minha voz
fez-se inaudível,
Por isso escrevo-vos.
As palavras dão-me o poder que da minha voz foi retirado,
Permitem-me escrever o meu nome.
Esperança, Esperança, Esperança.
E como diz o ditado,
A esperança é a última a morrer.
Quem sou eu para discordar?
Estou viva porque me recuso a morrer
antes de fazer com que todas
as minhas palavras sejam o nosso
hino de liberdade.
E quero que saibam que eu sou todas
elas, a mulher da esquina, a vendedora,
a enfermeira, a médica,
a mãe, filha, neta, prima, sobrinha,
avó, namorada, esposa, profissional,
doméstica, soldada, forte, sensível,
encantadora, cientista, artista…
Todas elas são eu, e eu sou todas elas…
Melissa Dinda
(in Melissa Dinda, Elementos, p. 59)
