O porto de águas profundas de Techobanine voltou ao centro da agenda económica regional. O Presidente da República, Daniel Chapo, apontou esta segunda-feira (28) o desenvolvimento daquela infra-estrutura, a cooperação energética e o reforço das ligações logísticas como prioridades na relação entre Moçambique e o Botsuana.
Em visita de Estado de três dias ao Botsuana, Chapo reuniu-se com o seu homólogo, Duma Boko, num encontro em que defendeu a necessidade de fazer avançar os entendimentos políticos para projectos concretos, com capacidade para produzir resultados económicos e aprofundar a integração regional.
Entre as iniciativas consideradas estratégicas está o porto de águas profundas de Techobanine, projectado para o distrito de Matutuíne, na província de Maputo. Avaliado em cerca de 6,5 mil milhões de dólares, o empreendimento envolve Moçambique, Botsuana e Zimbabué e contempla a construção de uma linha férrea com aproximadamente 1700 quilómetros.
“Temos o projecto do porto de Techobanine, que é de Moçambique, Botsuana e Zimbabué, para podermos aumentar a capacidade do corredor do Limpopo”, afirmou Daniel Chapo.
Para o Presidente moçambicano, a concretização do projecto poderá ampliar as possibilidades de escoamento de mercadorias e, simultaneamente, reforçar o acesso do Botsuana aos corredores logísticos de Moçambique.
“Temos de continuar a trabalhar juntos para ver como materializar este projecto”, declarou Chapo, colocando igualmente os transportes e a logística entre os sectores que deverão merecer maior atenção dos dois governos.
Nesse quadro, o Chefe do Estado destacou também a importância dos depósitos de combustíveis da Matola para a economia botsuanesa. “Transporte e logística é uma área em que temos de nos concentrar”, frisou.
Durante o encontro, Daniel Chapo agradeceu ainda o apoio prestado pelo Botsuana a Moçambique em diferentes momentos e sectores. Entre os exemplos mencionados estão a participação daquele país, através da força da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), nas operações de combate ao terrorismo em Cabo Delgado, a solidariedade demonstrada durante cheias e inundações e o apoio ao diálogo político nacional.
A parceria bilateral estende-se igualmente à agricultura, pecuária e turismo. Nestes domínios, os dois países têm apostado na partilha de experiências, enquanto o Botsuana tem fornecido vacinas veterinárias destinadas à saúde animal em Moçambique.
“A troca de experiência que estamos a ter no sector do turismo, na área da agricultura, da criação animal, sobretudo vacinas que nós temos tido a partir daqui de Botsuana para a saúde animal em Moçambique”, declarou o Presidente.
Os recursos minerais constituem outra frente que Maputo pretende aprofundar. Chapo afirmou que Moçambique quer beneficiar da experiência acumulada pelo Botsuana na exploração e gestão do sector, particularmente num momento em que o País procede à actualização da respectiva legislação.
“Queremos aprender do Botsuana que tem uma grande experiência neste sector”, disse, indicando que a ambição passa por elevar a capacidade nacional de produção, exportação e industrialização dos recursos minerais.
A experiência botsuanesa na reforma e digitalização da Administração Pública foi igualmente destacada pelo Presidente moçambicano como uma referência da qual o País poderá retirar ensinamentos.
A agenda bilateral deverá ainda avançar nos domínios da segurança, defesa, turismo e cultura, prolongando uma relação histórica entre Moçambique e Botsuana que remonta ao período dos movimentos de libertação na África Austral.
A visita de Estado de Daniel Chapo, realizada a convite de Duma Boko, procura reforçar os laços entre os dois países e prevê igualmente a assinatura de acordos bilaterais no quadro da comissão mista de cooperação.
Fonte: Lusa
