O Sukrí nasceu na cozinha de casa, nos momentos com a família e com os amigos. Antes de ir para o Brasil, quase nunca cozinhava. Quando lá cheguei, não consegui viver de congelados, e comecei a pensar em comida sob o ponto de vista de quem a faz e não apenas de quem a come. Em 2014 fiz o meu primeiro bolo red velvet, para o meu pai, e nunca mais parei. Passei a bolos para amigos, depois para clientes e, de repente, bolos de casamento. Adorava cozinhar para os outros, em ambientes sociais, em viagens, em ocasiões de família. E sempre comentava que gostava de ter um cafezinho, para ter liberdade, para explorar esse lado, um lugar pequeno e verde. Em 2016 ganhei de presente, dos meus amigos, a minha primeira batedeira profissional. Acho que aí soube que nunca mais deixaria esse trilho e resolvi deixar-me ir para onde ele me levasse. Em 2018 surgiu a oportunidade de abrir o Sukrí e, embora tenha hesitado em alguns momentos, o instinto falou mais alto e decidi arriscar, na cara e na coragem. E foi justamente graças ao incentivo das pessoas que mais directamente alinharam comigo nesta aventura, que são o David Pereira e o Eddy Comiche, e da minha família, que também faz parte do Sukrí. E porque muita gente pergunta, permitam-me dizer-vos que Sukrí significa açúcar, em crioulo cabo-verdiano, nome que se explica justamente por causa do início relacionado com bolos e doces.

A alma do Sukrí está em ser um lugar de alegria, de positividade e boa vibe, onde as pessoas se sintam felizes, leves, e onde, acima de tudo, se sintam em casa! O que mais nos preenche é ver os nossos clientes encherem a casa com risos e brindes. Os nossos happy hours semanais são prova disso, especialmente os temáticos. Além disso, dedicamo-nos totalmente, dentro das nossas possibilidades, a tornar o Sukrí uma casa amiga do ambiente, desde o início, usando palhinhas metálicas, talheres de madeira para o take away e, agora, trabalhando em embalagens na mesma linha.
 

“O que mais nos preenche é ver os nossos clientes encherem a casa com risos e brindes. Os nossos happy  hours semanais são prova disso, especialmente os temáticos” – Lígia Pereira, gerente do Sukrí

O nosso estabelecimento já mudou muito, desde que começou, tanto no menu, como na aparência. No início, não tínhamos metade do que temos hoje em equipamento e infra-estrutura, mas tínhamos a nossa essência: comida fora do lugar-comum, reconfortante, e ambiente descontraído, mas acolhedor. Tenho a certeza que foi o que fez com que as pessoas, cada vez que cá viessem, voltassem.


O nosso menu é bem contemporâneo, tem pouca veia tradicional. O que é de origem típica, a gente arranja sempre uma forma de tornar diferente do habitual, dar-lhe um toque próprio. Os nossos ovos benedict são um bom exemplo, um clássico que transformamos apresentando uma versão com caranguejo e outra com camarão, dois alimentos nossos com proteínas bem característicos. Viajamos por pratos que nos levem a produzir outros que as pessoas comam com todos os sentidos: com os olhos, com o olfacto e, claro, com o paladar. Inspiramo-nos em comida do tipo bistrô para refeições leves, brunches e burgers; a nossa selecção de pratos principais é relativamente pequena, até porque não é realmente o nosso foco. Fazemos também serviço de catering para eventos privados de pequena dimensão. Temos a preocupação de utilizar os produtos da região, sempre que possível firmamos parcerias com fornecedores e produtores locais. Hoje já há, felizmente, muitos produtores locais a oferecer ingredientes que antes tinham que ser importados, fosse pela qualidade fosse pela disponibilidade durante o ano, especialmente em termos de vegetais e fruta.

Não consideramos a comida, exclusivamente, o factor mais importante num restaurante. Na verdade, não há uma coisa mais importante que outra, existe uma série de componentes que se complementam de forma quase equilibrada. Ter uma comida maravilhosa não garante sucesso a nenhum restaurante se, por exemplo, o atendimento for péssimo; da mesma forma que um atendimento cinco estrelas vale pouco se o ambiente for desagradável; ou podemos ter o restaurante mais luxuoso e “instagramável” que vai perder o hype passado algum tempo se a comida for insossa. E por aí adiante. A comida é um elemento-chave, com certeza, mas tanto quanto alguns dos factores que mencionei.

Os últimos dois anos foram muito complicados para a restauração, mas conseguimos manter-nos vivos, com algumas medidas: reduzir o desperdício – tanto em termos de compra como de rentabilizar o uso dos ingredientes, fazendo com que os pratos usem o máximo de ingredientes comuns possível; indo em direcção ao cliente – com todas as medidas restritivas da covid-19 que compreensivelmente tinham que ser respeitadas. Tivemos que nos dispor a levar o Sukrí até eles e tornarmo-nos parte do seu dia-a-dia. Criámos por exemplo, caixas de brunch para datas comemorativas, e incrementámos as possibilidades de entrega à porta. Além disso, adaptámos o espaço, implementando todas as medidas de saúde e segurança pública possíveis, para que os clientes se sentissem seguros e confortáveis, continuando a frequentar o café. Um dos nossos maiores aliados desde o início da nossa operação foram os meios digitais, tanto para divulgação quanto para comunicarmos com os clientes. E é uma rede que continuará a merecer a nossa dedicação para evoluir e se tornar uma ferramenta ainda mais funcional e útil para nós e para os nossos clientes.

Estamos muito felizes e orgulhosos com o muito que já conquistámos, crescemos e evoluímos. Mas também temos consciência de que ainda há muito por melhorar, tanto em termos de operação quanto de infra-estrutura. Queremos expandir as possibilidades de lazer e entretenimento que oferecemos, e quem sabe se não nos vamos encontrar nalgum outro canto do mundo num futuro próximo?