Nampula, uma das províncias mais populosas de Moçambique, enfrenta um aumento alarmante nos casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), doença que se tem revelado fatal e incapacitante para muitos dos seus habitantes. De acordo com o Dr. Frederico João Sebastião, neurologista de renome na região, o número de casos e óbitos relacionados com esta patologia tem vindo a crescer de forma preocupante.
Entre Janeiro e Setembro deste ano, o Hospital Central de Nampula registou 276 casos de AVC, dos quais 33 resultaram em morte. Estes números representam um aumento significativo em relação ao mesmo período do ano anterior, que contabilizou 75 casos e 11 óbitos. O Dr. Sebastião alerta para a gravidade da situação e aponta os principais factores de risco associados a esta doença: hipertensão arterial, diabetes, consumo excessivo de álcool, tabagismo e o uso de drogas ilícitas.
"A prevenção é a nossa melhor arma contra o AVC. É fundamental que a população esteja consciente dos riscos associados a estes comportamentos e adopte um estilo de vida mais saudável", afirma o médico. Ele recomenda a redução do consumo de sal, a prática regular de exercício físico e a abstenção de álcool e tabaco como medidas eficazes para diminuir a incidência da doença.
O AVC não escolhe idade nem sexo, afectando tanto a população rural como a urbana em Nampula. Contudo, o Dr. Sebastião sublinha que muitos pacientes chegam às unidades de saúde em estado avançado da doença, após recorrerem a curandeiros, o que complica o tratamento e reduz as chances de recuperação.
O AVC ocorre quando há uma interrupção do fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro, resultando em danos cerebrais e, frequentemente, em incapacidades permanentes. A doença tem-se tornado uma das principais causas de morte e incapacidade em todo o mundo, e Moçambique não é excepção.
No último domingo, dia 29 de Outubro, celebrou-se o Dia Mundial do AVC, uma oportunidade para reflectir sobre a importância da prevenção e do acesso a cuidados de saúde adequados. Em Nampula, a luta contra esta doença mortífera continua, com os profissionais de saúde na linha da frente, trabalhando incansavelmente para reverter esta tendência preocupante.
