A possibilidade de um asteróide colidir com a Terra dentro de sete anos praticamente duplicou, de acordo com cálculos revistos pela Agência Espacial Europeia (ESA) e pela NASA, actualizados esta sexta-feira. Em resposta, a Organização das Nações Unidas (ONU) accionou o Protocolo de Segurança Planetária, um mecanismo de coordenação internacional para eventuais medidas de mitigação.
O asteróide em questão, designado 2024 YR4, foi identificado em Dezembro por um telescópio no Chile e estima-se que tenha entre 40 e 90 metros de diâmetro — dimensões semelhantes às do meteorito que devastou uma vasta área da Sibéria, em 1908, no chamado Evento de Tunguska. A sua velocidade de deslocação é de 17 quilómetros por segundo, e a probabilidade inicial de impacto, que era inferior a 1%, subiu agora para 2,3%.
Diante desta actualização, foram mobilizados dois grupos internacionais sob a égide da ONU, encarregues de monitorizar o objecto e intensificar as observações astronómicas até Abril, altura em que o asteróide deixará de ser visível pelos telescópios terrestres. A expectativa é de que, até lá, os cálculos permitam excluir qualquer risco significativo de impacto. Caso contrário, o 2024 YR4 voltará a aproximar-se da Terra dentro de três anos, o que poderá obrigar à adopção de medidas concretas.
Actualmente, a possibilidade de colisão incide sobre uma faixa compreendida entre o norte da América do Sul, África e Sudeste Asiático, embora a probabilidade continue a ser considerada reduzida. No entanto, caso o cenário se agrave, a NASA dispõe da tecnologia DART, testada com sucesso em 2022, que poderá ser accionada para desviar a trajectória do asteróide e evitar um impacto catastrófico.
